Lesões, o tormento dos atletas
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quarta-feira, 17 de março de 2010
Rafael Souza<br> Especial para a FOLHA 
Que o esporte é fonte de benefícios para o corpo humano não é mais segredo para ninguém. Ano após ano, especialistas apontam dados que comprovam a eficácia da prática esportiva no organismo humano. Métodos de treinamento, avaliação e estrutura acompanham a evolução e deixam os esportes mais aptos para a prática.
Tudo isso é feito visando o bem estar de quem pratica, seja aqueles que o fazem por prazer, pensando no lado saudável, e também para quem segue a carreira de atleta. Mas todos eles, principalmente os de alto rendimento, ainda não estão livres de um tormento: as lesões.
Esporte mais praticado no Brasil, o futebol é um dos que apresenta alto índice de lesões. Segundo os especialistas, a melhoria na qualidade dos gramados do país e a grande evolução da medicina preventiva contribuíram muito para diminuir este quadro, mas o alto grau de exigência do corpo ainda traz muitos problemas.
Para o ortopedista Rodrigo Egger, especialista em ortopedia e traumatologia e em casos de ombro e cotovelo, a grande vilã dos atletas é a sobrecarga. ''Em qualquer esporte, quando há excessos, o risco é muito maior. É como o motorista que está dirigindo a 200 km/h, a probabilidade de ele sofrer um acidente é grande. É um excesso que pode levar a um acidente'', compara.
Segundo o médico, muitos atletas confundem bom preparo com excesso de treinos. ''Há uma falsa impressão de que fica melhor condicionado quem treina muito. Mas aí pode acontecer a fadiga muscular, o reflexo diminui, e se forma o cenário perfeito para a ocorrência de uma lesão'', explica.
As partes do corpo mais sujeitas a lesões nos esportes de alto rendimento são as articulações, como joelhos, ombros e tornozelos, onde ficam os ligamentos. Os atacantes Ronaldo e Nilmar sabem bem o que significam as cicatrizes em seus joelhos. Ambos passaram por cirurgias nos dois, mas voltaram a jogar. Mais recentemente, o meia Souza, em ótima fase no Grêmio, rompeu o ligamento anterior cruzado do joelho esquerdo no clássico Gre-Nal e ficará no total seis meses em recuperação.
No entanto, essas lesões complicadas não são ''privilégio'' apenas de jogadores profissionais. O estudante Olinto Luis Garcia, de 17 anos, rompeu o ligamento do ombro direito em uma partida de futsal. ''Fui empurrado, caí com o peso do corpo todo em cima do ombro. Na hora doeu demais, mas voltei pro jogo. Fui ao médico, mas não obedeci e voltei a jogar duas semanas depois. Caí de novo, daí não teve jeito, tive que operar'', relembra o garoto.
Ele diz que no início ficou assustado e chegou a temer não poder jogar mais. ''Quando ele (médico) falou que teria que operar fiquei preocupado, mas logo ele me tranquilizou. Depois da operação, fiquei cinco meses me recuperando e já estou 100%'', garante.
Peladeiros
O futebol, aliás, é apontado pelo ortopedista como o esporte que mais acarreta lesões em seus praticantes. Os campeões, segundo ele, são os ''peladeiros de finais de semana''. ''A maioria dos casos, sem dúvida, é aquele da pessoa que passa a semana toda sem praticar nada e chega final de semana, ele quer jogar três, quatro jogos seguidos no clube, no campeonato do bairro'', aponta.
Outros esportes de menos contato físico, mas que têm mais movimentos repetitivos, como o tênis, o vôlei e o handebol, também oferecem grande risco de lesões aos praticantes. Nestas modalidades, os danos podem aparecer com mais frequência nos ombros e cotovelos. Por ser a articulação que possui maior amplitude do corpo humano e também uma das mais instáveis, estudos norte-americanos constataram que o ideal é limitar em 75 o número de arremessos de cada jogador por partida.
Eduardo Vidotti, fisioterapeuta da seleção brasileira infanto-juvenil masculina de voleibol, conta que, apesar de não ter contato físico, o vôlei está também entre os esportes mais causadores de lesões. ''O salto, o impacto e o ataque são movimentos construídos que fogem da anatomia básica do caminhar e correr. Assim, essa sobrecarga gerada em cima das articulações vai gerar lesões'', explica.
''Por exemplo, um atacante salta em média 100 vezes durante um treino. Há pesquisas que mostraram que num salto de 1 metro de um atleta de 100 quilos, o impacto sobre as articulações é quase dez vezes maior que seu próprio peso. Ou seja, mesmo com todos os métodos de prevenção, fica difícil evitar uma lesão'', analisa o fisioterapeuta.
Entre as mais ocorrentes lesões dentro do vôlei estão as tendinites, tanto de joelhos, como de ombros, frutos do impacto gerado pelos movimentos repetitivos do esporte. ''Entorses, luxações e fraturas de dedos, traumas de boladas também acontecem, mas são menos comuns, talvez podendo ser tratadas como 'acidentes''', finaliza o especialista.
Como evitar lesões
Cada modalidade exige alguma particularidade do praticante. Algumas necessitam de mais força, outras de mais resistência ou velocidade. No entanto alguns cuidados valem para todos os esportes e ajudam na prevenção direta de lesões. Os especialistas enumeram abaixo alguns dos mais importantes:
■ Estar bem preparado fisicamente.
■ Sempre alongar-se antes e depois das atividades.
■ Usar os equipamentos necessários para a prática do esporte.
■ Não exagerar.
■ Boa alimentação.
■ Em caso de dores anormais, sempre procurar um especialista.


