Joelho. Nunca se falou tanto desta parte do corpo. Nunca, os atletas, sejam amadores ou mesmo os de ponta, tiveram tanto pavor ao ouvir esta palavra. Isso tem um motivo. O número de lesões de joelho cresce assustadoramente e vem obrigando cada vez mais alguns dos grandes nomes do esporte mundial a perderem temporadas e a verem a carreira estagnar por conta desse problema. Esse aumento significativo abriu discussões sobre as causas desse ''boom''. Abriu também espaço para um questionamento: até que ponto a exigência de resultados e a consequente carga cada vez maior de treinos pode ser a vilã neste caso?
Kaká passou despercebido na Copa da África. Fernando Torres, campeão com a Espanha, também. O capitão da seleção inglesa, Rio Ferdinand, nem chegou a ir ao Mundial. Essien, astro do Chelsea e de Gana, também não. O zagueiro Pepe, de Portugal, amargou o banco na Copa. No Brasileirão, boa parte dos clubes perderam seus principais jogadores por poucas ou muitas rodadas, ou até mesmo pelo Campeonato Brasileiro inteiro. O Santos ficou sem Paulo Henrique Ganso, o Botafogo perdeu Maicossuel e Marcelo Mattos, o Vasco teve a baixa de Nilton, Alex Silva desfalcou o São Paulo, enquanto Marcos e Éwerthon estão de molho no Palmeiras. O Corinthians não ficou atrás, perdeu Chicão. Em comum em todos esses casos uma grave lesão de joelho.
Mas não é só o futebol que está sofrendo com o problema. Nas outras modalidades, o joelho também vem sendo o vilão dos atletas. A medalhista olímpica no taekwondo, Natália Falavigna, ficou oito meses em recuperação de uma cirurgia para reconstrução do ligamento cruzado anterior. A ponteira Mari perdeu o Mundial de Vôlei do Japão por causa da mesma lesão. Maurren Maggi também teve que ir para a mesa de cirurgia, assim como o judoca João Derly. A Unopar Londrina/Sercomtel teve duas baixas consideráveis no elenco por conta de lesões no joelho. O ponta Gilson já passou pela artroscopia há alguns dias, já o armador-central Léo foi operado na última quinta-feira. Além de principais jogadores do time, eles também são presença frequente nas convocações da seleção brasileira.
Nos casos específicos dos atletas da equipe londrinense, os ortopedistas que compõem o Departamento Médico do time são unânimes em afirmar: o problema é a falta de uma quadra adequada. O handebol é um esporte de muito impacto para as articulações. Em piso duro, a lesão se torna inevitável.
''A quadra faz muita diferença e os próprios atletas sentiram isso. Nos microtraumas de repetição, quando diminui o amortecimento, começa a machucar a cartilagem, o menisco e aparece também a fadiga muscular. A msuculatura é a principal protetora da articulação. Os casos do Gilson e do Léo são lesões de cartilagem e isso é por trauma'', disse um dos médicos do time, o ortopedista Rodrigo Medeiros, que já havia operado um dos joelhos de Léo, em São Paulo, há um ano, e participou da nova cirurgia. ''O joelho é o principal amortecedor do corpo. Quando você cai, ele funciona como uma mola. O movimento do joelho é complexo, além do vai e vem, tem as rotações'', completou.
Para ele, no entanto, o grande número de atletas indo parar na mesa de cirurgia por causa do joelho é uma coincidência atrelada ao crescimento do índice de competitividade das modalidades. ''Esse ano teve muito atleta de renome lesionado. Por isso, talvez, a repercussão'', finalizou o ortopedista.

mockup