Lesão no joelho: o tormento dos atletas
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sábado, 02 de outubro de 2010
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Joelho. Nunca se falou tanto desta parte do corpo. Nunca, os atletas, sejam amadores ou mesmo os de ponta, tiveram tanto pavor ao ouvir esta palavra. Isso tem um motivo. O número de lesões de joelho cresce assustadoramente e vem obrigando cada vez mais alguns dos grandes nomes do esporte mundial a perderem temporadas e a verem a carreira estagnar por conta desse problema. Esse aumento significativo abriu discussões sobre as causas desse ''boom''. Abriu também espaço para um questionamento: até que ponto a exigência de resultados e a consequente carga cada vez maior de treinos pode ser a vilã neste caso?
Kaká passou despercebido na Copa da África. Fernando Torres, campeão com a Espanha, também. O capitão da seleção inglesa, Rio Ferdinand, nem chegou a ir ao Mundial. Essien, astro do Chelsea e de Gana, também não. O zagueiro Pepe, de Portugal, amargou o banco na Copa. No Brasileirão, boa parte dos clubes perderam seus principais jogadores por poucas ou muitas rodadas, ou até mesmo pelo Campeonato Brasileiro inteiro. O Santos ficou sem Paulo Henrique Ganso, o Botafogo perdeu Maicossuel e Marcelo Mattos, o Vasco teve a baixa de Nilton, Alex Silva desfalcou o São Paulo, enquanto Marcos e Éwerthon estão de molho no Palmeiras. O Corinthians não ficou atrás, perdeu Chicão. Em comum em todos esses casos uma grave lesão de joelho.
Mas não é só o futebol que está sofrendo com o problema. Nas outras modalidades, o joelho também vem sendo o vilão dos atletas. A medalhista olímpica no taekwondo, Natália Falavigna, ficou oito meses em recuperação de uma cirurgia para reconstrução do ligamento cruzado anterior. A ponteira Mari perdeu o Mundial de Vôlei do Japão por causa da mesma lesão. Maurren Maggi também teve que ir para a mesa de cirurgia, assim como o judoca João Derly. A Unopar Londrina/Sercomtel teve duas baixas consideráveis no elenco por conta de lesões no joelho. O ponta Gilson já passou pela artroscopia há alguns dias, já o armador-central Léo foi operado na última quinta-feira. Além de principais jogadores do time, eles também são presença frequente nas convocações da seleção brasileira.
Nos casos específicos dos atletas da equipe londrinense, os ortopedistas que compõem o Departamento Médico do time são unânimes em afirmar: o problema é a falta de uma quadra adequada. O handebol é um esporte de muito impacto para as articulações. Em piso duro, a lesão se torna inevitável.
''A quadra faz muita diferença e os próprios atletas sentiram isso. Nos microtraumas de repetição, quando diminui o amortecimento, começa a machucar a cartilagem, o menisco e aparece também a fadiga muscular. A msuculatura é a principal protetora da articulação. Os casos do Gilson e do Léo são lesões de cartilagem e isso é por trauma'', disse um dos médicos do time, o ortopedista Rodrigo Medeiros, que já havia operado um dos joelhos de Léo, em São Paulo, há um ano, e participou da nova cirurgia. ''O joelho é o principal amortecedor do corpo. Quando você cai, ele funciona como uma mola. O movimento do joelho é complexo, além do vai e vem, tem as rotações'', completou.
Para ele, no entanto, o grande número de atletas indo parar na mesa de cirurgia por causa do joelho é uma coincidência atrelada ao crescimento do índice de competitividade das modalidades. ''Esse ano teve muito atleta de renome lesionado. Por isso, talvez, a repercussão'', finalizou o ortopedista.


