France PresseAlteraçãoO técnico Zagallo orienta o time titular, com Leonardo, antes do coletivo de ontem, em Ozoir-la-FerriSre: com a saída de Giovanni, o meio-de-campo subiu de produçãoVinte e três dias depois de chegar à França, a Seleção Brasileira fez ontem, em Ozoir-la-FerriSre no domingo que começou chuvoso e terminou ensolarado, seu melhor treino coletivo no país que abriga a 16ª Copa do Mundo. Não foi ainda um time à altura do grande potencial que tem, mas, em alguns momentos, mostrou jogadas que podem ser decisivas diante dos próximos adversários.
Dois motivos específicos contribuíram para a melhor produção do time brasileiro: a efetivação de Leonardo no meio-de-campo, em lugar de Giovanni, que deixou o setor mais compacto, articulando-se com maior eficiência com a defesa e o ataque; e a subida de produção de Bebeto, que se entendeu bem com Ronaldinho e marcou três gols.
O time reserva, com um zagueiro e um meia cedidos por um time da colônia portuguesa da região, pareceu desestimulado na parte final do treino, quando os titulares viviam seu melhor momento. Mas, nos treinos anteriores, o mesmo desânimo ocorreu e nem por isso a produção da equipe principal foi boa. O técnico Zagallo orientou os reservas a subir em bloco para o ataque, numa simulação do que o time de Marrocos fez diante da Noruega.
Com seis minutos de treino, a defesa principal havia sido envolvida por três vezes, todas entre o lateral-esquerdo Roberto Carlos e o zagueiro Aldair. Numa, Denílson driblou três adversários e cruzou com perigo, mas não havia ninguém para a conclusão. Aos poucos, porém, o time A foi-se acostumando ao estilo dinâmico de Leonardo. Com o meia do Milan, o meio-de-campo fica mais compacto, movimenta-se melhor, não deixa os laterais isolados. Como a Leonardo cabe mais o setor direito, quem lucra com isso é Cafu.
Os golsAos 9 minutos de coletivo, Cafu escapou pela direita e rolou a bola para trás. Da entrada da área, Leonardo tocou rasteiro, colocado, com categoria, mandando a bola fora do alcance de Carlos Germano. A partir desse gol, a equipe pareceu ‘‘encorpar-se’’. Por 21 minutos, o que mais mereceu a atenção foi o esforço de Ronaldinho para marcar um gol. E ele teve algumas boas oportunidades, na sua arrancada característica. Mas sempre esbarrava no último zagueiro ou nas defesas de Germano. Aos 32 minutos, porém, Rivaldo cruzou a bola da esquerda, Ronaldinho, bem-colocado, saltou entre os zagueiros e cabeceou forte, conseguindo seu gol.
Na atuação melhor da equipe, ficava faltando Bebeto. Antes de o atacante baiano desencabular-se, Giovanni diminuiu o marcador, após passe preciso de Émerson. E em dez minutos Bebeto mostrou lampejos de bom futebol. Aos 36, aproveitou um rebote de Dida, após ótima jogada individual de Leonardo; aos 43, escorou de cabeça um cruzamento de Ronaldinho da esquerda; e aos 46, também de cabeça, mas em cruzamento de Rivaldo, definiu o marcador.
BebetoCom a substituição de Giovanni por Leonardo, a atenção geral no coletivo voltou-se para Bebeto. Ameaçado, ele correu o tempo todo, deslocou-se para as laterais, chegou à área para a conclusão e, importante para um jogador de ataque, marcou gol - aliás, três. ‘‘Quero fazer um gol contra Marrocos, porque, para mim, é importante, mas não tenho de provar nada para ninguém’’, disse Bebeto, dando início a um desabafo. ‘‘O que estão fazendo comigo é uma falta de respeito, por tudo o que já fiz na Seleção.’’

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