São Paulo - ''Não se compete com o dinheiro do PSG''. Foi com essa frase simples que o presidente da Internazionale, Massimo Moratti, resumiu a impotência de alguns dos clubes mais tradicionais da Europa enfrentarem o Paris Saint-Germain, mais novo multimilionário do mundo da bola. Desde que foi comprado pelo Qatar Sports Investments (QSI), no ano passado, o jovem clube francês (completou 42 anos de fundação no último dia 12) passou de uma agremiação de relativa força internacional a principal candidato a bater de frente com Barcelona e Real Madrid pelos principais títulos.
Para atingir o objetivo, assombrou o mundo e gastou 148 milhões de euros só nessa janela de transferência (mais 106 milhões de euros na anterior) para contratar estrelas como Thiago Silva, Ibrahimovic e Lavezzi. A força dos franceses foi acompanhada mais de perto após proposta estratosférica de 43 milhões de euros que tirou Lucas do São Paulo.
Todo esse poder está concentrado nas mãos do brasileiro Leonardo, contratado no ano passado pela QSI para administrar as cifras milionárias e dar andamento ao projeto de transformar o Paris Saint-Germain no time mais forte do mundo. Desde que assumiu, contratou 16 reforços, entre eles o uruguaio Lugano, os brasileiros Alex e Maxwell, o argentino Pastore e o italiano Sirigu, isso sem contar a nova leva estelar. Além do time, teve participação direta na escolha de Carlo Ancelotti, com quem trabalhou no Milan, para comandar o elenco.
O emprego do outro mundo apareceu em um momento de dúvida na carreira de Leonardo, que deixou o posto de gerente do Milan para se arriscar como técnico primeiro do clube rubro-negro para em seguida migrar para a arquirrival Internazionale. Foi justamente como dirigente que demonstrou grande habilidade como negociador e descobridor de talentos. Foi por insistência sua que Silvio Berlusconi resolveu levar Kaká, Thiago Silva e Alexandre Pato, destes apenas o último a um custo elevado (15,6 milhões de euros, enquanto que Kaká saiu do São Paulo por US$ 8,5 milhões e Thiago Silva assinou de graça após terminar seu vínculo com o Fluminense). A experiência bem-sucedida como gerente e o fato de ter identificação com o clube (que defendeu em 1996 e 1997) fizeram Nasser Al-Khelaifi, dono do QSI, bancar a contratação e lhe dar carta branca para agir.
No céu
Desde então, dinheiro realmente parece não ser um problema e é capaz até mesmo de mudar o destino de negociações praticamente sacramentadas. Que o diga Lucas, mais nova (e cara) joia parisiense. O meia estava acertado com o Manchester United e com os contratos prestes a serem assinados, mas uma ligação mudou radicalmente os rumos da sua carreira.
''O São Paulo mandou o advogado na Inglaterra para a assinatura dos contratos, então o Leonardo ligou perguntando se já tinha assinado e disse para esperar porque ele cobriria a proposta. Ele me mandou uma passagem, conversamos e depois o liberei para falar com o Lucas, que sentiu muita firmeza e resolveu abraçar o projeto'', afirmou Wagner Ribeiro, agente de Lucas.
É claro que os altos salários e a possibilidade de morar em uma das cidades mais bonitas e ricas do mundo são atrativos suficientes para fazer um jogador trocar de clube, mas Leonardo tem se mostrado um hábil articulador para convencer os atletas a trocarem os campeonatos mais fortes pela Ligue 1, de nível técnico ainda inferior.
A forma e o entusiasmo como o brasileiro apresenta o Paris Saint-Germain tem encantado os jogadores, como deixou claro Ibrahimovic assim que confirmou sua saída do Milan. ''Quero agradecer muito ao PSG e a Leonardo pelo trabalho bem feito. Ele transformou o impossível em possível. É um projeto muito interessante e estou feliz por fazer parte dele'', elogiou.
Mesmo na mesa de negociações, Leonardo mantém o estilo sereno e tranquilo que sempre o caracterizou. Mas o sucesso e respeito europeu não vieram apenas graças às contratações. Sua reputação exemplar como jogador apenas aumentou quando passou para o outro lado.
Além da experiência bem-sucedida no Milan, conquistou os franceses por sua postura equilibrada e outros detalhes mais sutis, como o fato de estar sempre bem vestido (não abandona nunca os ternos bem cortados) e falar francês fluentemente apesar de ter jogado apenas uma temporada no país. Durante a apresentação de Maxwell chegou até mesmo a corrigir o tradutor, que resumia demais as declarações do lateral. ''Converso com presidentes e dirigentes dos maiores clubes do mundo e todos têm o maior respeito por ele. Leonardo é um cara sério do futebol e admirado'', completou Wagner Ribeiro.

mockup