Yokohama, Japão - O lateral-esquerdo Léo foi o último jogador a deixar o campo e entrar no corredor onde foram realizadas as entrevistas no estádio do Kawasaki Frontale, onde o Santos treinou ontem. E não teve pressa para ir embora. Disposto, solícito e animado como se já soubesse que será titular no domingo contra o Barcelona, na final do Mundial de Clubes da Fifa, ele nem parecia o jogador que andava de cara amarrada e sem vontade de falar com os jornalistas quando ruminava a insatisfação de ter perdido a posição para o zagueiro Durval. ''A dor no joelho direito diminuiu bastante e me sinto preparado para jogar. Estou com tanta vontade de disputar essa partida que topo até tomar uma infiltração se for preciso''.
Aos 36 anos, o lateral-esquerdo é o jogador mais velho do grupo. E sabe que talvez não tenha outra oportunidade de lutar por um título que não consta de seu vasto currículo de conquistas com a camisa santista - com seis troféus (Campeonato Brasileiro de 2002 e 2004, Campeonato Paulista de 2010 e 2011, Copa do Brasil de 2010 e Copa Libertadores deste ano), ele é o maior ganhador da história do clube depois da era Pelé.
''Estamos muito perto de fazer história e não podemos deixar o cavalo passar, temos de montar nele. Pode ser minha última chance de ser campeão mundial porque é muito difícil chegar a esta competição. Sabemos que a dificuldade para vencer será imensa e, por isso, vamos nos matar em campo'', disse o lateral-esquerdo.
Léo sorria toda vez que lhe perguntavam se já sabia se ia jogar e dizia que, para não dar armas ao adversário, o técnico Muricy Ramalho vai manter o mistério até a preleção que dará no hotel antes da saída para o estádio neste domingo. O treino desta sexta não ajudou a elucidar se o treinador já tem o time na cabeça nem se jogará com dois ou três zagueiros porque limitou-se a exercícios para aprimorar a posse de bola em espaço reduzido com titulares e reservas misturados.
Em suas respostas, Léo fez questão de dizer que o Barcelona, embora seja reconhecidamente o favorito, precisa respeitar a força do Santos. ''Eles sabem que não vão enfrentar um time qualquer. Ganhamos muito nos últimos dois anos e temos jogadores com capacidade para desequilibrar''.
O principal deles, claro, é Neymar. Para o lateral-esquerdo, a sua presença em campo pode provocar uma mudança no estilo de jogo do lateral-direito brasileiro Daniel Alves. ''Ele ataca muito, mas nunca teve o Neymar nas suas costas. Se der muito espaço e o deixar no mano a mano com qualquer zagueiro do Barcelona, um abraço. Nenhum vai conseguir segurar o moleque por causa da velocidade e habilidade que ele tem''.
Barcelona
Pela segunda vez desde que o time pisou em solo japonês, há menos de uma semana, Pep Guardiola deu 24 horas de folga, ontem, para os seus jogadores e os liberou para dormir fora do hotel. À primeira vista pode parecer que o Barcelona dá pouca importância ao torneio e menospreza o Santos, mas é justamente o contrário. O treinador faz isso sempre e o objetivo é ajudar seus comandados a chegar ao jogo menos tensos.

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