Lenísio, talento brasileiro a serviço do futsal da Espanha
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quinta-feira, 08 de setembro de 2005
Agência Estado 
São Paulo - O futebol brasileiro encanta os espanhóis com as pedaladas de Robinho, a força de Roberto Carlos, os gols de Ronaldo e a genialidade de Ronaldinho Gaúcho. Mas os brasileiros também fazem sucesso no futsal da Espanha. São mais de 200, nas quatro principais divisões do país. Só na Primeira, formada por 16 times, são 64.
A impecável organização da Liga, que começa amanhã, é completada pelo talento de craques como Lenísio, de 28 anos, eleito pela terceira vez o melhor jogador da Espanha. O pivô é líder do Polaris Cartagena, espécie de Real Madrid do futsal: tem seis brasileiros no elenco. ''Os espanhóis são campeões mundiais, mas no talento individual, os brasileiros são melhores'', opina Lenísio, que está no país desde 2002.
Para Lenísio, é simples entender as razões da invasão brasileira que em verdade não é nova: começou a partir de 1980. Enquanto os espanhóis querem a qualidade dos brasileiros, nossos jogadores vão para a Europa em busca de qualidade de vida e segurança. ''Além de ter mais tempo para a família, pois o calendário é muito organizado, os clubes pagam em dia'', diz o pivô, de 28 anos que tem seis meses de salários a receber do Atlético-MG, seu último time no Brasil.
Os espanhóis só não conseguiram, ainda, levar Falcão, melhor jogador de futsal do mundo. Não por falta de proposta. O problema é que a Malwee, sua atual equipe, cobre as propostas vindas da Europa. Mesmo assim, os brasileiros que se aventuram na Espanha não se arrependem. Semelhante à regra do futebol de campo, se o jogador de futsal consegue o passaporte europeu, não é contabilizado como estrangeiro. Daí para a naturalização, é um passo. Isso explica que brasileiros, como Edésio e Daniel, já tenham defendido a seleção espanhola.
Lenísio está no melhor momento da carreira. Casado, pai de um casal de filhos, busca o primeiro título da Liga. Nas três primeiras temporadas na Espanha, foi vice-campeão pelo El Pozo perdeu todas para o Boomerang Interviú. ''Os primeiros meses foram difíceis, até me acostumar com a língua e os hábitos dos espanhóis'', diz o pivô, que marcou 68 gols no ano passado. ''Hoje estou adaptado e feliz'', diz, sem esconder a alegria.
Organização - Na Liga Espanhola chamada por eles de ''o melhor campeonato do mundo'' , a maioria dos clubes é financiada por empresas particulares. A diferença é que os times não são desfeitos por falta de patrocínio. Os contratos são assinados por, pelo menos, dois anos.
O futsal não é o esporte favorito dos espanhóis futebol de campo, basquete, ciclismo e motociclismo movimentam mais torcedores , mas o sucesso do torneio é garantido. Já na pré-temporada, cada equipe vende centenas de carnês para a temporada. ''Os jogos são aos sábados, sempre no mesmo horário, transmitidos pela tevê aberta'', conta Lenísio. ''A tabela é previamente conhecida e facilita a vida dos torcedores.''


