Ireno Fargas é um dos maiores nomes da história do taekwondo. Tricampeão mundial como atleta, em 1979, 1981 e 1983, o espanhol tornou-se técnico e não parou de ganhar títulos. São 17 medalhas olímpicas e quase 100 em campeonatos mundiais à frente de seleções do México, França e Espanha.
Atualmente, a "lenda viva", de 51 anos, mora no México, onde é o responsável por coordenar o Centro de Treinamento de La Loma, considerado um dos mais modernos do mundo da modalidade. Aos seus olhos passam todos os dias os melhores taekwondistas do mundo. Entre eles, os brasileiros. De passagem por Londrina, onde ministra desde a última sexta-feira um seminário para técnicos de todo o Brasil, Fargas elogiou a nova safra de lutadores brasileiros e prevê bons resultados em nível mundial em um futuro próximo.
Para ele, a renovada seleção brasileira, que é comandada pelo londrinense Fernando Madureira, reúne boas chances de brigar por medalhas na Olimpíada do Rio de Janeiro, daqui a três anos. "Acredito que, antes no Brasil, existiam dois ou três atletas que eram muito bons, como Diogo (Silva), Natália (Falavigna), Márcio (Wenceslau), e a equipe que foi agora ao campeonato mundial gostei muito, porque não tem atletas melhores ou piores, e sim atletas em igualdade, em bom nível técnico, com muito futuro para competir pelo Brasil", elogiou o treinador.
Em La Loma, o espanhol organiza torneios com a participação de seleções de todo o mundo. Ele esteve presente no Mundial de Puebla, realizado no México, em julho, e disse ter tirado boas impressões dos brasileiros. "O Brasil não é somente uma potência na América do Sul, é uma potência mundial, pois os resultados são muito bons. Neste momento está trocando alguns atletas antigos, e no Campeonato Mundial, em Puebla, fizeram um trabalho muito bom. As medalhas não foram muitas, mas por ser uma equipe nova somou muita experiência e isso é importante", analisou Fargas, prevendo um futuro bom para a modalidade no Brasil. "Pelos atletas que foram ao Mundial, é muito fácil imaginar que o Brasil possa brigar por medalhas nos Jogos Pan-Americanos e nos próximos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro", projeta o treinador.
No Mundial realizado no México, em julho deste ano, a seleção brasileira ganhou apenas uma medalha, com o brasiliense Guilherme Dias, bronze na categoria até 58 Kg. Campeão pan-americano, ele é apontado como uma das grandes promessas brasileiras para o futuro.
Em comparação com outras grandes potências do taekwondo, o técnico espanhol não vê o país tão longe. Para ele, a filosofia de trabalho implantada está no caminho certo, mas é preciso ter uma atenção maior com a transição da base para o alto rendimento. "Outros países, como Espanha, França e Irã, são diferentes, por terem um grande histórico de medalhas em nível mundial. Creio que o que falta ao Brasil é um pouco mais de treinamento e intercâmbios com equipes europeias. O trabalho técnico de base que têm os atletas brasileiros é muito melhor que na Europa, tem que se trabalhar a transição para o alto rendimento", encerrou Fargas.

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