Leite confirma pagamento através de paraíso fiscal
Rio de Janeiro, 28 (AE) - A Traffic, empresa que comercializa os direitos de transmissão, os patrocínios e a publicidade estática para a Confederação Brasileira de Futebol, pagou aos clubes que disputaram a Copa Mercosul mais de US$ 10 milhäes por meio de uma empresa num paraíso fiscal: a Traffic & Torneos y Competencias (T&T), com sede nas Ilhas Cayman. A informação foi confirmada por Kleber Leite, dono da Klefer e sócio de J. Hawilla em alguns empreendimentos da Traffic. Kleber negou que a empresa nas Ilhas Cayman tenha negócios com a CBF, que, segundo ele, não recebeu nenhum centavo pela realização do torneio.
O vice-presidente de futebol do Vasco, Eurico Miranda, suspeita do contrário. "Eles fazem outras coisas para a CBF", afirmou. "Mas empresa em paraíso fiscal não tem dono." Na época em que rompeu com o presidente Ricardo Teixeira, porque a CBF dificultou a remarcação dos jogos do Vasco pelo Brasileiro durante a preparação do time para o Mundial Interclubes, Eurico insinuou que a entidade tivesse participação na T&T. "O que eu disse naquela época está dito", afirmou. "Não quero que eles se metam comigo, assim como nunca mais vou pedir nada à CBF."
O dirigente do Vasco criticou a percentagem de 20% que a Traffic teria ganho do contrato de patrocínio à seleção brasileira firmado com a CBF e a Coca-Cola. "Será que todo mundo acha normal uma comissão de R$ 1 milhão num contrato de R$ 5 milhäes?", perguntou. E ironizou o fato de a CBF ter anunciado um prejuízo de US$ 15 milhäes num ano de Copa do Mundo, em que deveria faturar mais pelo prestígio da seleção tetracampeã. "Nada que vem de lá me causa estranheza."
Kleber Leite explicou que a criação da T&T nas Ilhas Cayman se deveu a uma associação da Traffic com a empresa argentina Torneos y Competencias. "Como eram países distintos, fizemos uma associação com sede num terceiro país, que poderia ser qualquer um: Itália, Suíça, Ilhas Cayman", afirmou. "Não existe nada demais nisso." Segundo Kleber, o SBT, que comprou os direitos de transmissão no Brasil, pagou diretamente à T&T, sem repasse algum para a CBF. O dinheiro, então, foi distribuído aos clubes. Procurado pela reportagem da Agência Estado, o diretor do SBT Evandir Kotait não retornou a ligação.
O SBT pagou também pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil. Kleber Leite negou que a T&T ou a CBF tivessem participado da negociação. Mas, segundo Eurico Miranda, o dinheiro da TV era redistribuído pela CBF aos clubes. A Confederação não contabilizou na sua prestação de contas qualquer importância em relação a direitos de transmissão da Copa do Brasil.





