Leilão leva Londrina a romper relações com Lusinha e Atlético
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de janeiro de 1999
Nelson Cilo 
O episódio Rodrigo - que teve o passe arrematado em leilão pelo Atlético Paranaense - levou a diretoria do Londrina a romper relações com o clube da capital e, ao mesmo tempo, com a Portuguesa Londrinense. Ao justificar a medida, o presidente do Conselho Deliberativo do Londrina, Antonio Amaral, disse que soube, pela imprensa, que o assessor-jurídico e diretor da Lusa, Hélio Camargo, teria repassado ao Atlético informações sobre o leilão realizado anteontem.
O passe de Rodrigo, artilheiro do último Campeonato Paranaense de Juniores, estava avaliado em R$ 100 mil e foi arrematado por R$ 55 mil. No entanto, o Londrina pagou ontem, na Junta de Conciliação e Julgamento, os R$ 5 mil referente à dívida cobrada pelo ex-treinador da escolinha do clube, Zé Dias, e que motivou o leilão. Segundo Amaral, o ex-presidente Iran Campos arrumou o dinheiro.
O Londrina, agora, precisa se livrar de mais três penhoras em cima do passe de Rodrigo. Uma delas é solicitada por Paschoal Caldarelli, irmão do ex-presidente do clube, Marcelo Caldarelli. Amaral vai sugerir que Paschoal retire a ação. Caso contrário, ele ameaça pedir uma auditoria judicial para apurar atos praticados por Caldarelli na sua gestão. Se ficarem comprovados atos lesivos ao nosso patrimônio, vou pedir abertura de inquérito policial e, em seguida, iniciar o processo criminal contra a sua pessoa, disse ontem Amaral.
Quanto a Camargo, o presidente do Conselho Deliberativo o acusa de tentar desfiliar o Londrina junto à Federação Paranaense (FPF) e à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Na opinião de Amaral, o gesto de Camargo, a quem declara persona non grata ao clube, contraria frontalmente o elo de amizade entre a Portuguesa e o Londrina.
Amaral também não poupa o Atlético que, segundo ele, utilizou informações de falsos londrinenses para explorar o Londrina de maneira covarde, vil e torpe. O Londrina era, mas não é mais a casa-da-mãe-joana. Doa a quem doer, vamos à Justiça para defender nossos direitos contra piratas e saqueadores. O Atlético agiu de forma tendenciosa. Querem pisar no Londrina. Chega de palhaçadas.
Camargo - Ao responder às acusações, Camargo interpretou a reação do Londrina (não citou o nome de Amaral) como atitude infantil das pessoas que estão confundindo as situações. Nunca passei informações de qualquer espécie. Eu nem teria tanto tempo para perder com essas coisas... Como advogado, apenas defendo meus clientes em centenas de ações contra o Londrina, afirmou Camargo. Se é assim, tudo bem. Não somos (a Portuguesa e o Londrina) mais vizinhos e parceiros. Seremos adversários ferrenhos.
Petraglia - O presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, afirmou ontem que o Londrina deveria se preocupar em pagar as contas em dia ao invés de criticar o rubro-negro por ter arrematado em leilão o passe do atacante Rodrigo. O Atlético ficou sabendo que o passe do jogador seria leiloado, como qualquer interessado. Se não fosse comprado por nós, certamente seria por outro. Agora, se os dirigentes do Londrina decidiram cortar relações conosco por causa do leilão é problema deles. Acho que esse pessoal deveria estar preocupado em administrar melhor a situação do clube e com o pagamento das dívidas, disparou Petraglia.


