Rio de Janeiro - O corte da seleção feminina de vôlei, que disputa a partir de hoje, as finais do Grand Prix, na Itália, e a Olimpíada de Atenas, em agosto, encerrou o ciclo vitorioso da oposto Leila na equipe. Ontem, a atleta se policiou para não criar polêmica ao falar da atitude do técnico do time José Roberto Guimarães, que além dela dispensou a meio-de-rede Carol, mas seu descontentamento, mágoa e ressentimento ficaram evidentes.
Leila anunciou que não defenderá mais a seleção brasileira, nem mesmo se alguma jogadora se lesionar e ela for chamada como substituta.
''Vim para esclarecer. Não para desabafar e criar polêmicas'', disse Leila, de 32 anos. ''A atitude não me surpreendeu, porque sentia que havia outras possibilidades além de mim.'' Leila explicou que conversou particularmente com o treinador do Brasil, mas não quis revelar o teor do encontro. Detalhou somente que, durante a reunião, ambos colocaram seus pontos-de-vista sobre o corte.
Para ela, o fato de ter passado quatro anos longe da seleção, quando se dedicou ao vôlei de praia por dois anos, contribuiu para prejudicar seu desempenho técnico.
''Teve a questão da confiança. Ele trabalha com algumas jogadoras há muito tempo. E ninguém me prometeu nada, fui porque quis'', afirmou Leila, que perdeu a vaga na seleção para Bia, de 32 anos; Mari, de 20 ambas do Finasa/Osasco, time treinado por Guimarães e Elisângela, de 25. ''Tenho a certeza de que a Bia agora irá render 100% e vai jogar muito mais.''
A tristeza evidente de Leila crescia quando se referia às chances de medalha do Brasil em Atenas. Contou nunca ter visto um time do País com tantas possibilidades de uma medalha de ouro, principalmente, pela cumplicidade e homogeneidade da equipe.
Sobre o futuro, Leila foi incisiva. Encerrou o ciclo com a seleção, não retorna ao vôlei de praia, quer atuar por mais dois anos nas quadras e terminar a carreira. O próximo passo poderá ser virar comentarista de TV, já que a primeira experiência deverá ocorrer durante os Jogos da Grécia. E, para a disputa da Superliga, já assinou por um ano com o Rexona/Ades, do Rio de Janeiro.
''Sou uma pessoa de caráter e não preciso me fazer de vítima. Minha trajetória na seleção tem muito mais crédito que débito e saio por cima'', destacou Leila, que ontem mesmo retomou os treinos na nova equipe. ''Tenho que correr atrás e mostrar que não estou morta.''

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