Lei Pelé vai alterada para o Congresso
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segunda-feira, 15 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaO ministro Pelé espera aprovação do projeto de lei em 60 diasO governo mandou ontem ao Congresso o projeto conhecido como Lei Pelé, que muda a estrutura do esporte no Brasil. Além de transformar os clubes em empresas e extinguir o passe, o projeto acaba com os bingos e enfraquece a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que terá sua atuação limitada a organizar o futebol brasileiro, já que os clubes poderão se associar em ligas e promover seus próprios campeonatos. O governo pediu urgência na apreciação da proposta, que terá sua tramitação acompanhada pelo próprio ministro dos Esportes, Edson Arantes do Nascimento, Pelé.
A principal modificação feita no projeto inicial foi o veto à possibilidade de o governo dar incentivos aos clubes. O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, não aceitou a proposta, que continua sendo um dos objetivos de Pelé. Poderemos, no futuro, voltar a pensar nisso, afirmou o ministro, que começa, a partir de outubro, a fazer um acompanhamento permanente da proposta. Por mim ela já estaria aprovada, mas espero que em 60 dias isso venha a acontecer, diz Pelé.
Pelo projeto do governo, a CBF vai ter de se adaptar às novas regras que, inclusive, retira os incentivos às entidades que não possuem fins lucrativos - como a própria CBF. Elas passarão a pagar impostos sobre os lucros obtidos em transações comerciais, esportivas e de licenciamento. Além disso, a CBF perderá parte de seu poder, já que as agremiações poderão organizar competições esportivas, por meio de ligas estaduais ou regionais.
A CBF ficará apenas com a competência para organizar os amistosos da Seleção Brasileira e convocar seus jogadores, escalar árbitros e manter a Justiça Desportiva. Se a entidade não se enquadrar à lei, não poderá representar o Brasil no exterior, explica o vice-presidente do Conselho Nacional de Desportos, Hélio Vianna. Se seus estatutos atuais estiverem dentro das novas regras, não haverá problemas.
Temos que convencer o Congresso que é importante uma lei moderna para o esporte, afirmou Pelé, assegurando que o governo vai pressionar sua base de apoio para que a proposta seja aprovada. Pelé não teme a influência da CBF - que até já montou um escritório de loby em uma mansão do Lago Sul, em Brasília - e nem do presidente da Fifa, João Havelange.
Bingos O projeto de Pelé também acaba com os bingos, liberados pela Lei Zico, que deverá ser substituída pela atual proposta. A finalidade desses jogos não estava sendo obedecida, explica Pelé. Além disso, todos os clubes que têm atividades profissionais - no Brasil só são profissionais o futebol, boxe, tênis, golfe, automobilismo e motociclismo - terão que se transformar em empresas, desvinculando a parte esportiva profissional da área social.
No próximo mês, Pelé encaminhará uma minuta da proposta a todos os jogadores profissionais, já que em algumas regiões do País os próprios atletas duvidam da eficácia do projeto. Os jogadores não estão bem informados e o que sabem é por intermédio dos dirigentes, diz o ministro. Pelo projeto, os passes serão extintos. Este sistema escraviza o atleta e desmoraliza o esporte, não possuindo qualquer amparo jurídico, ético ou moral, explicou Pelé em sua exposição de motivos enviada ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Os contratos também terão um período definido, sendo que a vigência mínima será de seis meses.


