A partir de amanhã, o ministro dos Esportes, Edson Arantes do Nascimento, Pelé, deverá fazer os primeiros contatos com os deputados para apressar a votação da Lei Pelé, que reestrutura o futebol brasileiro radicalmente. A lei transforma os clubes em empresas, acaba com os bingos, extingue o passe e enfraquece a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O primeiro encontro de Pelé deverá ser com o relator da comissão especial que analisa a proposta, Antônio Geraldo, o Tony Gel (PFL-PE), que defende alguns pontos do projeto, como a lei do passe e a transformação dos clubes em empresas.
Pelé pretende ver o projeto aprovado nos próximos 60 dias, um prazo que o relator acha impossível, porque Tony quer discutir a proposta com um maior número de pessoas envolvidas com o esporte, inclusive jornalistas.
A indicação do relator foi festejada pelo Ministério dos Esportes, já que Tony Gel - um radialista esportivo que cobriu três Copas do Mundo por uma emissora de Caruaru (PE) - vota com o governo (é afilhado político do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira), mas o próprio relator é cauteloso. ‘‘O futebol brasileiro exige urgência, mas não podemos ter pressa’’, diz. Além dele, o PFL indiciou os deputados Couraci Sobrinho (SP), Ciro Nogueira (PI), José Rocha (BA), Jaime Martins (MG) e Vanessa Felippe (RJ) para compor a comissão especial. Um deles, Ciro Nogueira, tem ligações com dirigentes de futebol, pelo menos em seu Estado, o Piauí.
Pelé deverá discutir com o relator os pontos mais polêmicos do projeto, que é a transformação dos clubes em empresas, a lei do passe, a liberação dos clubes para formarem suas próprias ligas - que enfraqueceria a CBF - e a extinção dos bingos.

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