São Paulo, 19 (AE) - O técnico Marcel de Souza, do Pinheiros, ganhou o direito de defesa no julgamento da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) sobre os incidentes da partida realizada domingo, no Rio, entre Flamengo e Pinheiros, pelo Campeonato Nacional Masculino. O técnico ganhou o recurso que apresentou ao Tribunal de Justiça Desportiva (TSD). Com base na Lei Pelé, Marcel contestou a decisão da CBB de não promover um julgamento antes de o suspender por três jogos por "ofensas morais" ao lateral Almir de Souza, do Flamengo. O TSD convocou uma sessão de julgamento para o dia 25, às 18 horas, na sede da CBB.
Com o cancelamento da suspensão até novo julgamento, Marcel dirige o time hoje, contra o Botafogo. E volta ao Rio domingo para comandar o Pinheiros contra o Vasco, às 11 horas, no Ginásio do Tijuca, pela quarta rodada do returno do Nacional. Almir nem vai estar no Rio. Seu time, o Flamengo, joga no Rio Grande do Sul, mas Marcel só confirmou presença na partida após reunião com os dirigentes do Pinheiros. "Não poderia fazer nada para prejudicar o nosso time." A presença do treinador no jogo de domingo foi confirmada hoje pelo diretor de Basquete do Pinheiros, Carlos Eduardo Ferraro. "Ele só não iria se estivesse suspenso; como não está, vai comandar a equipe", afirmou o dirigente, que não teme represálias dos torcedores do Vasco por um incidente que ocorreu com o Flamengo. "Sei que vamos chegar e voltar tranquilos", completou Ferraro.
Marcel nega que tenha usado as palavras "crioulo" e "macaco" no bate-boca que teve com o lateral Almir, do Flamengo, no domingo. As palavras foram atribuídas ao técnico no relatório elaborado pelo delegado da CBB, Ervino Operman, que serviu para que a Comissão de Disciplina da entidade o suspendesse por três jogos. Marcel também afirma que não invadiu a quadra. "O técnico é o único no banco de reservas que pode entrar na quadra quando há confusão." Até agora, o lateral Almir não apresentou queixa-crime contra Marcel, por racismo, como havia dito que faria. Hoje, o vice-presidente jurídico do Flamengo, Júlio Gomes, informou que continua reunindo provas e testemunhas para apresentar uma ação criminal contra o treinador. O dirigente afirma que, se Marcel não pedir desculpas até segunda-feira, o jogador entrará com a ação.

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