Bruxelas - O governo brasileiro vai convocar nos próximos dias representantes dos 12 Estados que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014 para discutir alterações no texto da Lei Geral da Copa, de forma a atender em parte as reivindicações feitas pela Fifa. A informação foi revelada pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, após o encontro da presidente Dilma Rousseff com o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, ontem, em Bruxelas, na Bélgica.
A Lei Geral da Copa já foi enviada pelo governo federal ao Congresso, mas algumas partes do texto desagradaram a Fifa, o que provocou a reunião desta segunda-feira. Agora, o objetivo do encontro com os Estados é chegar a um acordo sobre a venda de meia-entrada aos estudantes e sobre a liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros. Sobre o benefício da meia-entrada aos idosos, o governo federal já avisou que não aceita negociar. E a fiscalização contra a pirataria, outra reivindicação da entidade, será intensificada.
A discussão aconteceu pela manhã, no Hotel Sheraton de Bruxelas, onde a delegação brasileira está hospedada, e reuniu apenas Dilma, o ministro do Esporte e o representante da Fifa. O objetivo da conversa era ''aproximar'' o governo e a entidade, segundo disse Orlando Silva. De acordo com ele, a Fifa tem três reivindicações de mudanças na Lei Geral da Copa, sendo que duas delas terão de ser negociadas com os Estados.
A primeira reivindicação diz respeito à meia-entrada para idosos, o que é uma lei federal. Orlando Silva afirmou que a decisão sumária foi tomada e já foi informada a Valcke. ''A presidente Dilma foi muito clara e disse: 'O Estatuto do Idoso é uma conquista e não há nenhuma hipótese de seja alterado ou suspenso para a Copa do Mundo''', relatou o ministro do Esporte, fechando a questão.
Sobre a meia-entrada aos estudantes, a situação é diferente. O tema não é regulamentado por uma lei federal, mas por leis estaduais. A União não pode, portanto, legislar a respeito porque esse procedimento poderia ser inconstitucional. Essa explicação foi dada a Valcke, mas ela veio acompanhada de uma promessa: o governo federal se comprometeu a reunir os representantes dos Estados que tiverem cidades-sede para discutir uma posição conjunta que seria repassada à Fifa.
''Nós, do governo federal, não temos uma posição sobre esse assunto. Vamos ter de estudar a matéria'', reconheceu o ministro. ''Vamos chamar os representantes dos Estados para que, juntos, cheguem a uma posição unificada.''
A mesma estratégia será usada sobre a liberação do consumo de bebidas alcoólicas nos estádios. Pela manhã, Orlando Silva havia dado sinais de que o governo não tinha restrições ao tema. ''No Brasil, a proibição da venda de bebidas nos estádios está no regulamento de competições da CBF. Ali está escrito a proibição, a partir de uma conversa com o Ministério Público. Não há nenhuma lei federal uma proibição da venda de bebidas, o que permitiria que haja a venda de bebidas durante o Mundial'', havia afirmado. À noite, porém, o ministro disse à reportagem que um novo problema havia surgido: cinco das 12 cidades-sede da Copa têm leis estaduais que proíbem a venda de bebidas nas arenas. ''É outro tema que vamos ter de negociar, consultando os Estados. E da mesma forma a solução passa por agrupar os Estados e obter uma resposta unificada'', ponderou.

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