Os dois clubes podem se orgulhar do passado. Cada um levantou três vezes a taça mais importante do futebol paranaense. Têm a disposição dois dos principais estádios do Estado. Já fizeram refletir nos gramados a grandeza econômica que em poucas décadas as transformaram em minimetrópoles invejadas pelo Brasil afora.
Mas o tempo e a nova ordem do futebol foram implacáveis com o Clássico do Café, a denominação pomposa usada para os confrontos entre o Grêmio Maringá e o Londrina. Na tarde de hoje, no Estádio Willie Davids, área central de Maringá, os dois times não estarão disputando título ou uma posição confortável na tabela.
É difícil saber em qual pescoço a corda está mais apertada. Pela pontuação, o Grêmio leva uma ligeira desvantagem, com dois pontos em três jogos. O Tubarão tem um ponto a mais e pelo menos já venceu na competição 3 a 2 contra o União. Enquanto o Grêmio é lanterna do Grupo B, o Londrina é vice-lanterna.
Quem perder, terá somente três jogos para reagir e entrar na zona de classificação, com o agravante de estar psicologicamente abalado por um fracasso no clássico, sempre tão comentado na semana posterior. Para justificar que o empate é bom resultado, o Londrina confia no seu poderio como mandante no futuro, já que jogará contra Nacional e Adap no VGD.
O técnico do Londrina, Lívio Vieira, sabe que o fantasma da demissão pode rondá-lo em caso de derrota. Boleiro que conhece todas as armadilhas do seu ofício, Lívio se tornou um homem precavido desde a derrota por 2 a 1 para o Roma Apucarana, na quarta-feira. Tanto que hoje ele não vai arriscar. Deixou a ousadia de lado e escalará o Tubarão no sistema 3-5-2, com dois homens defensivos no meio-campo.
E fez muito mais: sem poder contar com o suspenso apoiador Jean, decidiu colocar Luiz Henrique, sem receio de escalar uma zaga inexperiente, completada com Réferson e Jhones. Não bastasse, lançou o garoto Márcio nada mais que um desarticulador das jogadas adversárias como titular, deixando a técnica superior de Luisinho Cascavel no banco. O meia Nem, a referência técnica do elenco, terá uma função diferente, mais avançada, com o papel de formar ''dobradinhas'' nas subidas dos laterais.
O protagonista do jogo é Rocha, que, com o novo desenho tático, cumprirá a função de apoiador. Rocha marcou época no Grêmio, seu primeiro clube no futebol paranaense. Ele próprio lembra que ainda é respeitado pela torcida maringaense, apesar de também ser reverenciado pelos arquirrivais. ''Sou pé-quente. Nunca perdi um Clássico do Café'', diz o jogador, cujo sogro é vizinho do Willie Davids.
Nas três partidas atuando pelo Grêmio, ele venceu uma (a final da Copa Paraná de 1999) e empatou duas. Pelo Londrina, no Paranaense 2003, houve novo empate. ''Vou tentar usar minha experiência para não deixar os garotos fugirem da responsabilidade'', promete, com a autoridade de quem vai jogar com a braçadeira de capitão.


Em Maringá

Grêmio

Bastos; Carlão, DiMarcelo, Amaral, Ivonaldo (Clodoaldo); Bebeto, Márcio, Paulo Henrique (Jânio), Everton; Zé Augusto e Dinei (Rogerinho ou Brunão). Técnico: Jorge Anadon

Londrina

Marcelo; Réferson, Jhones e Luiz Henrique; Cassiano, Márcio, Rocha, Claudinho (Eduardo) e Fábio (Daniel); Bolão e Nem. Técnico: Lívio Vieira

Árbitro:Marcos Tadeu Silva Mafra
Estádio:Willie Davids
Horário: 16 horas (pode ser alterado para as 17 horas)

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