Maior ídolo do Londrina como jogador e um dos presidentes mais criticados da história do clube, Carlos Alberto Garcia foi o assunto da semana na cidade. O motivo foi a entrevista do ex-meia à FOLHA, na edição de 9 de dezembro, quando sentenciou o fim do Tubarão, a quem classificou como ''saco sem fundo'' em relação a investimentos. ''Não tenho nenhuma dúvida disso (que o Londrina vai fechar as portas). A não ser que apareça um doido aí e coloque R$ 10 milhões para zerar as dívidas e começar um trabalho de R$ 500 mil por mês, para tentar levar o time para a Série B'', afirmou.
As declarações do ex-jogador e ex-presidente mexeram com os torcedores e com diretores atuais e de gestões passadas, que protestaram das mais diversas maneiras. Todos repudiando a condenação feita por Garcia.
Peter Silva, que domingo tomou posse para mais dois anos de mandato, evitou polemizar sobre o assunto. ''Foi uma declaração infeliz. No fundo, o coração dele não quis dizer o que foi expresso ali. Não tenho muito o que falar. Tenho que me preocupar com o futuro. Prometi, quando assumi, que tornaria o clube viável em cinco anos e acho que estou no caminho'', comentou o presidente.
Já o vice-presidende de Futebol do LEC, Adir Leme da Silva, disse que respeita a opinião de Garcia e que é possível resgatar o Londrina. ''O Carlos Alberto Garcia já fez muito pelo Londrina e é um ídolo do clube até hoje, mas eu não vejo dessa forma. Acredito sim que é possível resgatar o Londrina por ser um clube de tradição, de história, que já revelou grandes jogadores e proporcionou grandes espetáculos de futebol'', declarou.
Adir falou também sobre o trabalho que a diretoria vem desenvolvendo e voltou a criticar a falta de apoio da cidade. ''Em cima do trabalho sério que vem sendo desenvolvido, a atual diretoria acredita muito que o Londrina tem tudo para dar bons resultados. Mas não posso deixar de citar que ainda falta um comprometimento da cidade como um todo pelo Londrina, que é um patrimônio histórico dela mesmo e tem que ser preservado'', disse.
Para o ex-presidente Agostinho Miguel Garrote, o fim do Londrina nunca irá chegar. ''Essa é a opinião do Garcia. A minha é que o Londrina não vai morrer nunca, pelo menos enquanto eu tiver vivo. Já passei por três mandatos no clube. Sei como funciona, a marca é forte e não morre assim'', observou o ex-cartola, que repete com frequência que pegou o bastão no chão, comparando ao revezamento 4x100m no atletismo, quando assumiu o mandato tampão em substituição ao próprio Garcia, que renunciou ao cargo em 2004.
Já Dorival Pagani, presidente do clube em 1992, quando o Londrina foi campeão pela última vez - venceu o Paranaense daquele ano - preferiu não se manifestar sobre o assunto. Ele tem um cargo diretivo no CAC/Portuguesa e, por isso, virou ''persona non grata'' no Tubarão.

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