LEC terá time bom e barato
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terça-feira, 06 de abril de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Com um teto salarial de R$ 3 mil, o Londrina corre riscos de cair para a Terceira Divisão do futebol brasileiro. Nem mesmo a valorização da auto-estima do time obtida com a boa campanha no Campeonato Paranaense é capaz de entorpecer a sensatez do presidente Carlos Alberto Garcia. Segundo ele, o Tubarão da Série B será uma equipe modesta, sem estrelas, arriscada a brigar nas últimas rodadas contra o fantasma do rebaixamento, a exemplo do que ocorreu em 2002. ''Não há como negar, corremos riscos e tenho consciência disso. O clube tem uma receita de R$ 120 mil, menos os 15% que serão destinados a pagar as ações trabalhistas, e não vamos fugir disso'', argumentou.
Além de pagar as dívidas trabalhistas, um assunto tratado com prioridade pela nova administração, o clube pretende gastar somente o que arrecadar por meio de patrocínios, cotas, renda e demais fontes. ''Não podemos gastar mais do que temos. O clube não será inconsequente para ficar devendo depois'', ponderou.
Para atenuar estes problemas, Garcia tenta acertar o empréstimo de mais um grupo de jogadores do Palmeiras, sem custos para o clube. Hoje, às 10 horas, no Parque Antártica, ele tem uma reunião com o presidente alviverde Mustafá Contursi. ''Há uma lista com seis jogadores que interessam. Tive uma conversa com ele na segunda-feira e senti que podemos ter boas novidades. Estou com esperança de trazer um grupo bom de jogadores'', disse.
Nesta relação, citada por Garcia, e elaborada pelo supervisor Lico, não constam os nomes do lateral-esquerdo Ilsinho e do meia-atacante Júlio César, primeiros nomes cogitados. Apenas do atacante Rafael Marques. ''Isso não quer dizer que não os queremos. Se for bom jogador, será bem-vindo'', afirmou.
O técnico Raul Plassmann e o supervisor Lico finalizariam ontem à noite o projeto para a Série B. Raul bem que gostaria de fazer uma pré-temporada em local afastado, mas o orçamento apertado do clube não deve permitir. ''Uma pré-temporada de 12 dias, por exemplo, ficaria algo em torno de R$ 30 mil, inviável nas atuais circustâncias. Ou fica todo mundo treinando aqui no VGD ou dividimos o grupo em dois locais diferentes'', explicou.
Diplomático, Raul disse que aceitará com naturalidade a política do ''bom e barato'' que o presidente quer implantar na Série B. ''Não vou me intrometer neste assunto (salário). Trabalho com jogador que ganhe até R$ 150,00, para mim não tem problema. Quando o Eduardo chegou, ouvi gente comentando que o Londrina estava contratando jogar de trezentão'', provocou.


