O técnico Roberto Fernandes não gosta de pressão. Declarou após o coletivo de quinta-feira que ‘‘cobrança só vai favorecer o Náutico’’, adversário de hoje à tarde, às 16 horas, no Estádio dos Aflitos, em Recife. Mas o fato é que uma nova derrota em terreno nordestino poderá provocar um ambiente ainda mais desgastante para o treinador.
  A começar pelo fracasso do projeto de conquistar dez pontos em quatro jogos. O primeiro cartucho já foi desperdiçado no empate com o Brasiliense, quando o LEC cedeu a igualdade aos 48 minutos do segundo tempo. Se perder ou até mesmo empatar mais um confronto, o pacto de vitórias selado por jogadores e comissão técnica terá naufragado. Além do Náutico, o Tubarão terá na seqüência mais dois jogos no Estádio do Café: Portuguesa e Anapolina.
  Segundo o treinador, no entanto, a situação ainda não fugiu de suas mãos. Mesmo decepcionado com o empate contra o Brasiliense, Fernandes procurou minimizar e desvalorizar a carga de críticas que o time vem recebendo para reagir na Série B do Campeonato Brasileiro. ‘‘Estamos procurando dar tranqüilidade e confiança para os jogadores nesse momento, que na minha opinião, é normal. Aquele empate foi ruim, e nada melhor do que recuperarmos aqueles pontos já no jogo contra o Náutico’’, avaliou o treinador, que iniciou sua carreira no futebol jogando justamente no ‘‘Timbu’’, apelido do clube pernambucano.
  Fernandes tem como aliada uma ‘‘legião’’ de jogadores que conhecem muito bem o futebol pernambucano. O meia-atacante Fumaça foi ídolo no Náutico e marcou inclusive o gol do título estadual do ano passado. O zagueiro André Turatto, que deve fazer hoje sua estréia na vaga de Dé, é outro que tem afinidade com o ‘‘Timbu’’. Em 2001, também ganhou o título pernambucano e fez o ‘‘curso’’ de como anular o atacante Kuki, maior ídolo da torcida do Náutico. ‘‘Ele é um grande jogador, mas é muito esquentado e costumar desestabilizar a equipe com seu nervosismo. Não vai ser novidade marcá-lo. Ano passado joguei contra ele quando estava no Criciúma e não tive problemas’’, disse o zagueiro.
  Já o meia-defensivo Dário deve ser hostilizado. Ídolo da torcida do Sport na década de 90, onde foi cinco vezes campeão estadual, o jogador também tem a própria receita para arrancar pelo menos um ponto nos Aflitos. ‘‘A torcida empurra o time, é muito exigente. Mas às vezes se volta contra os jogadores. O Londrina precisa jogar com inteligência, marcar muito forte e valorizar a posse de bola. Acho que dessa forma, temos condições de aproveitar os espaços e conseguir um resultado positivo’’, disse.
  O meia Fumaça, que já marcou 18 gols com a camisa do Náutico, tem opinião semelhante. ‘‘Lá, a torcida pressiona muito. Se a gente resistir os primeiros 30 minutos de jogo, eles vão começar a ficar impacientes, a xingar e vaiar o time deles. Temos de saber tirar vantagem nessa hora’’, disse.
  Em jogos válidos pelo Campeonato Brasileiro, o retrospecto é favorável ao Tubarão. Foram quatro vitórias, dois empates e três derrotas (números extra-oficiais). A última vitória nos Aflitos foi obtida em 1999 (3 a 0).

mockup