Habilidade nas mãos, habilidade no raciocínio. O goleiro Vilson, grande herói da classificação do Londrina em Cianorte, disse em rede estadual de TV, para centenas de milhares de pessoas ouvirem. ''Nesta Páscoa, quando comemoramos o renascimento, o Londrina renasceu''.
A frase teve o poder de resumir o clima que tomou conta da cidade depois que o meia Nem outro destaque com atuação impecável (o lateral-direito Cassiano também foi muito elogiado) balançou a rede em frente à torcida do Cianorte na última cobrança de pênalti. Enfim, a desconfiança havia se convertido em alegria.
Ressurreição que começou a acontecer a partir de suas mãos, mas que passou também pelos seus pés. Vilson, um goleiro de 31 anos com currículo modesto porém íntegro (atuou pelo Paraná Clube, Malutrom, Rio Branco, Sinop, Atlético-SC, Nacional e Paranavaí) brilhou como nunca na tarde de sábado. Defendeu dois pênaltis (ver quadro) e com os pés deu outra alegria à torcida ao acertar a terceira cobrança da série.
Indicado pelo ex-técnico Itamar Bernardes, Vilson já era um dos homens de confiança de Zezito, que, nos 25 dias que está no comando técnico do LEC, aprendeu que ele pode ser mais que um salvador, como mostrou nas últimas rodadas da primeira fase. Também pode ser um líder, talvez o capitão do time no primeiro duelo das semifinais, quando o volante Edmílson não poderá atuar.
Na festa que tomou conta do vestiário depois do jogo, nas brincadeiras no restaurante em que a delegação alviceleste jantou, em Maringá, ele foi o centro das atenções. Vilson garantiu, pelo menos, uma ovação especial no caldeirão que deve se transformar o VGD contra o Atlético.
Foi difícil encontrar Vilson no domingo. A Folha tentou contato, mas não obteve sucesso. Diretores, comissão técnica e jogadores pouco sabiam sobre seu paradeiro. Mas todos tinham uma certeza: poucos moradores da cidade mereciam descansar mais na Páscoa do que o goleiro do Tubarão. (L.F.M.)

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