LEC quer vitória para espantar crise
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quinta-feira, 29 de maio de 2003
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
O técnico Roberto Fernandes está na marca do pênalti. Uma vitória hoje à noite, às 20h30, contra a Portuguesa, no Estádio do Café, será mais do que um mecanismo para aliviar o clima de tensão que tomou conta do time após a derrota para o Náutico. Será acima de tudo a prova de que a reabilitação ainda é possível.
Por outro lado, uma nova derrota pode trazer mais intranquilidade. A cúpula do grupo gestor, que administra o futebol profissional do LEC, não descarta promover mudanças em caso de um novo tropeço na Série B do Campeonato Brasileiro. ''Tudo vai depender do jogo com a Portuguesa'', disse o vice-presidente de futebol, Dorival Pagani, durante um treinamento no VGD.
Dizendo-se alheio a qualquer tipo de pressão, o treinador afirma que tem a confiança dos diretores do clube. 'Prestigiado', nega que seu emprego esteja por um fio. ''Nunca houve uma situação como esta. Tive um reunião quarta-feira com alguns diretores e eles deram total confiança ao meu trabalho. As chances que eu tenho de deixar o elenco caso ocorra um novo insucesso são as mesmas chances que eu tinha antes da estréia do time. Nem mais, nem menos'', disse o treinador, ontem, à Folha, após um treino tático no Estádio do Café.
Fernandes afirma, no entanto, que já pensou no ''outro lado da moeda''. Sem o costume de dirigir equipes que recebem ampla cobertura da imprensa local, ele disse ontem que existe uma outra possibilidade. ''E se eu cansar? Ninguém pensou nisso, mas se eu resolver sair?'', questionou. ''No Londrina, fiz muitos amigos e a base dessas amizades é a sinceridade e o respeito. Se meu cargo estivesse em risco, alguém já teria me falado'', ponderou.
O treinador mantém o mistério sobre quem joga em dois setores do time. No gol, Marcelo tem tudo para ser mantido. Ameaçado depois de falhar no primeiro gol do Náutico, o goleiro ainda desfruta de crédito com o treinador. ''Ele admite que errou naquele lance, mas salvou o time de tomar dois ou três gols na sequência do jogo. Vou conversar com ele hoje (ontem) à noite, e se sentir que está confiante, vou manter o Marcelo no time. Caso contrário, o Serginho também está pronto para jogar'', afirmou.
Na lateral-direita, a indefinição é maior. Em má fase, o titular Jamur, que não teve adversário à altura desde que foi contratado, viu o substituto imediato Cassiano crescer de produção nos treinos. A velocidade e o ímpeto ofensivo de Cassiano, que começou no juvenil do PSTC, motivaram o treinador a reavaliar o titular da posição. ''É um jogador que surpreendeu desde o primeiro treino aqui no clube. Ele evoluiu muito e já está adaptado a nossa filosofia. O Jamur tem uma qualidade técnica que não se discute, mas não está num bom momento'', disse Fernandes.
No setor ofensivo, o Tubarão contará com o retorno na dupla que marcou 12 gols no Campeonato Paranaense. Marcelo Silva e Paraguaio, recuperados de lesão no joelho direito, são promessas de gol contra a Portuguesa e jogam pela primeira vez juntos na Série B deste ano.


