Dois dias antes de comemorar 50 anos, o Londrina Esporte Clube (LEC) recebe mais um duro golpe que mancha de vez as festividades pela data histórica. O time teve ontem à tarde, 75% de sua sede campestre leiloada pela Justiça Federal por causa de dívidas com o INSS. Para sorte do clube, nenhum interessado em comprar a área compareceu ao leilão, o que configurou a chamada ''Praça Negativa'', e ele foi remarcado para o dia 17. Até lá, o Departamento Jurídico do LEC tentará reverter a sentença.
O valor da dívida é de aproximadamente R$ 1,36 milhão por recolhimentos de INSS que não foram feitos nos anos de 1988 e 1997. Na gestão do ex-presidente Cléber Tófoli, em 88, foram três ações. Na gestão de Péricles Danielides, em 97, tem mais uma. O lance inicial do leilão foi de R$ 1,6 milhão.
A área de 121 mil metros quadrados que abriga a sede social do Londrina foi doada pelo governo do Estado. Em 1960, o então presidente Carlos Antonio Francello conseguiu convencer o governador da época, Moisés Lupion, que doou a área. Para poder receber o terreno, o Tubarão precisou mudar seu nome de Londrina Futebol Clube para Londrina Futebol e Regatas, porque a área não poderia ser doada para um clube que praticasse só o futebol. O Londrina só foi receber de fato o local no ano seguinte, já no mandato de Ney Braga.
Em entrevista à Rádio Brasil Sul, Franchello lembrou que o terreno não poderia ser vendido ou ser entregue para pagamentos de dívidas. O local seria inalienável. O advogado do Londrina, Ricardo Ramalho Cardoso, tenta livrar o clube de perder o único patrimônio que lhe resta baseado justamente nesse item.
O problema, é que na escritura do imóvel, não há nenhuma citação sobre o assunto. Segundo Cardoso, há uma cláusula que recomenda a devolução do imóvel ao Estado caso aconteça o desvio de finalidade e que as demais exigências são baseadas na Lei 14/61. ''Vamos atrás dessa Lei e tentar suspender o segundo leilão'', disse o advogado. Ele aguarda o envio de uma cópia de um documento de doação emitido no 7º Tabelionato de Registros e Notas Volpi, de Curitiba, que deve conter partes da referida lei.
Apenas 75% da sede foram à leilão porque os outros 25% já foram penhorados. O jogador Jackson Gonçalves, que atuou no clube em 1996, na gestão de Marcelo Caldarelli, é o dono de 30 mil metros quadrados da sede campestre do LEC. Ele recebeu alguns cheques sem fundo ao deixar o clube, como pagamento de despesas rescisórias e salários. O processo durou de 1996 a 1999, quando foi expedida uma carta de abjudicação em favor do atleta. Os 25% do terreno também passaram por alguns leilões. Como ninguém se interessou pela compra, ele foi declarado proprietário do imóvel.
Se o Departamento Jurídico não conseguir reverter a situação antes do dia 17, o mesmo deve ocorrer com os outros 75%. ''Vamos tentar fazer o possível para reverter isso, mas preciso da lei. Sem ela, não dá nem para falar a chance que temos'', lamentou Cardoso.
A sede campestre conta com salão de festas e de jogos, campos de futebol suíço e profissional, parque aquático com quatro piscinas, churrasqueiras, sauna e uma ampla área verde, atendendo a 5.804 sócios, sendo 3.800 remidos.
A diretoria alviceleste não se pronunciou sobre o assunto. Em nota enviada à imprensa, o clube apenas reproduziu a explicação de Cardoso.

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