O Londrina oficializou ontem o pedido de impugnação da partida entre Ceilândia e Londrina (3 a 0 para o time candango), domingo, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, a primeira da terceira fase da Série C do Campeonato Brasileiro. A direção do Tubarão acusa o Ceilândia de ter descumprido duas determinações do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
A principal reclamação do Londrina é com as instruções dadas pelo técnico Paulo Comelli da arquibancada. O treinador estava suspenso e não pôde ficar no banco de reservas, mas das arquibancadas, orientou seu time, juntamente com o gerente de futebol do Ceilândia, Adriano Coelho, e com um outro funcionário do clube.
Legalmente, Comelli não poderia estar no estádio porque estava suspenso e o jogo teria que ser realizado com portões fechados, pois o time do Distrito Federal havia sido punido pelo STJD com a perda do mando de campo. A presença deles nas arquibancadas configura um desrespeito à determinação imposta pelo tribunal.
O recurso foi enviado por e-mail e fax pelo advogado Domingos Moro, especialista em direito esportivo e colecionador de causas ganhas na Justiça Desportiva. Hoje, Moro apresentará as provas pessoalmente ao presidente do STJD, Luís Zveiter.
Foram colhidos materiais que dão base à reclamação do Londrina. Moro anexou ao processo cópias de jornais, fotos, a gravação de uma entrevista do próprio Comelli à Rádio Paiquerê AM onde ele confirma que orientava a equipe e de uma reportagem de tevê onde o treinador aparece nas arquibancadas do Estádio Mané Garrincha orientando seu time. ''Temos evidências muito boas da presença dele. Se tudo será suficiente, não sei. Temos que tentar e ver o que é possível'', comentou Moro.
Segundo o advogado, o primeiro passo a ser alcançado é a aceitação da denúncia por parte de Zveiter. Caso aceite, haverá o processo e o julgamento. ''O processo de impugnação é rápido'', ressaltou o advogado.
O principal empecilho para que o Londrina tenha sucesso é a não anotação do problema na súmula por parte do árbitro mineiro Enéas Eugênio de Aguiar. O quarto árbitro, Alexandre Andrade, que apita pelo quadro do Distrito Federal, no entanto, foi avisado da presença de Comelli.
Moro não garante a vitória alviceleste no Tapetão. ''Existe a possibilidade. A própria Justiça Desportiva puniu o senhor Paulo e o Ceilândia e os dois desrespeitaram a determinação. Será que o STJD vai ficar de olhos fechados'', questionou.
Caso aconteça a impugnação da partida, o Londrina venceria por W.O., que configuraria o placar de 1 a 0 e jogaria pelo empate no jogo de volta, domingo, no VGD. Na abertura da Série A do Campeonato Brasileiro, amparado por uma liminar do Procon, o Brasiliense abriu os portões aos torcedores no empate com o Vasco por 2 a 2 e foi punido no Tapetão per,dendo os pontos. ''O Londrina não pode ficar passivo a tudo isso'', protestou o presidente Agostinho Miguel Garrote.

mockup