Ed Carlos Rocha
De Curitiba
O adiamento do julgamento do caso Londrina/Coritiba para a próxima quinta-feira, na opinião do presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura, não oferece nenhum risco para a sequência do Campeonato Paranaense. Segundo o presidente da Federação, mesmo que o Londrina não se classifique para a próxima fase da competição, não há mais como recorrer na questão do ponto perdido para o Coritiba em função dos incidentes ocorridos no jogo entre ambos no dia 5 de abril.
A partida seguia empatada em 2 a 2 quando aos 35 minutos do segundo tempo o árbitro Henrique França Triches marcou um pênalti favorável ao Coxa. Houve tumulto. O supervisor Sérgio Amilcar Pereira, inconformado com a marcação que ele considerou ‘‘desonesta’’, invadiu o gramado, foi contido pela polícia e retirado de campo. Torcedores derrubaram parte do alambrado do VGD e também invadiram o gramado.
Pouco depois as luzes do estádio Vitorino Gonçalves Dias se apagaram. Triches correu para o vestiário, deu a partida por encerrada (alegando falta de segurança), tomou um rápido banho e saiu do estádio escoltado pela Polícia Militar.
Moura reforçou que na quinta-feira só serão julgadas punições ou não ao Londrina e aos dirigentes que invadiram o gramado. ‘‘O time foi denunciado no artigo 297, que não trata de perda de ponto e sim de perda de mando de campo e multas . Além disso, o Londrina tinha cinco dias para recorrer do meu ato administrativo que tirou o ponto do clube e não o fez. Agora não tem mais jeito’’, disse o presidente Moura.
No entanto, no entender de José Carlos Faret, presidente de Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Paranaense de Futebol (FPF), embora o Londrina tenha sido denunciado apenas no artigo 297, se o TJD resolver que o caso merece ser enquadrado também em outro artigo, isso pode acontecer automaticamente. ‘‘Não está descartada a hipótese do TJD voltar a analisar a questão da perda do ponto do Londrina’’, afirma Faret.
O coordenador-geral do Londrina, Célio Guergoletto, não concorda com a avaliação do presidente da FPF. No seu entendimento, de acordo com a Lei Pelé, Moura não tinha poderes para baixar o ato administrativo que puniu o clube com a perda dos pontos da partida e o mando de campo. ‘‘Até o Tribunal de Justiça Desportiva da Federação questionou o ato administrativo. Eu acredito que vamos conquistar esse ponto’’, diz o dirigente.
Ele comentou ainda que o advogado do clube, Loir Vaz, está juntando mais documentos para apresentar ao TJD. Entre os argumentos que serão usados está a divergência entre os relatórios apresentados pelo árbitro Triches, o comandante do policiamento no estádio e o do representante da Federação na partida.

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