Mais uma eleição para a presidência do Londrina se aproxima e mais uma vez não há candidatos. Faltando um mês para a realização do pleito, nenhuma chapa foi inscrita e ninguém esboçou interesse em assumir a vaga de Agostinho Miguel Garrote.
Segundo o vice-presidente do Conselho Deliberativo do clube, Fernando César Pereira, não houve nenhuma manifestação de candidatura. ''Não fomos procurados por ninguém, nem mesmo para consultas'', observou. ''Não acredito que vá aparecer alguém''.
Se depender do atual panorama político do clube, Garrote permanecerá por mais dois anos dando as cartas no Tubarão. Não existe oposição no Londrina. ''Meu objetivo é não deixar o clube morrer. Se vier alguém fazer no meu lugar, melhor ainda. Aguardo pessoas que possam dirigir de forma mais tranquila financeiramente'', avisou Garrote.
Conforme o pleito se aproxima, começam também as especulações. Nomes que já sentaram na principal cadeira do VGD, a sede do Londrina, sempre são lembrados. A maioria, porém, descarta um possível retorno, já vacinada com os percalços, turbulências e desgastes que a função causa. ''É uma pena essa situação (falta de interessados). A cidade é muito fria com o Londrina. O caixão tem seis alças, mas não consegue três pessoas para carregá-lo'', lamentou o ex-presidente Dorival Pagani. ''O Agostinho é um exemplo. Ele cuida de tudo com a ajuda só do Barbante (Odair Oriani, vice)''.
Campeão Paranaense em 92, Pagani descarta o retorno. ''Meu período já acabou. Fiquei seis anos no cargo e mais um tanto ajudando. Não tenho mais condições de assumir''.
Outro que sempre aparece encabeçando as especulações é Marcelo Caldarelli. ''Eu nunca mais concorro. Todo mundo (presidentes) teve R$ 50 mil da Sercomtel, eu nunca tive um centavo e só 'tomava pau'. Era muito pesado, nem dormia à noite'', descartou Caldarelli, presidente no biênio 96/97.
Especula-se que um grupo de empresários e ex-dirigentes articula uma candidatura. Reuniões já aconteceram e já existe até o consenso do nome do pré-candidato definido. Uma reunião na próxima semana, em Brasília, definirá a oficialização da candidatura. Se houver um sinal verde de investidores que garantam um suporte financeiro que dê tranquilidade para a temporada 2006, o candidato será inscrito para concorrer nas eleições de novembro e deve ser eleito. A idéia, porém, não é fazer uma chapa oposicionista, mas incluir Garrote nela.
Rotina A falta de interessados em comandar o clube já está virando rotina. Em 2003, não haviam candidatos para substituir o então presidente Osvaldo Sestário Filho. Depois de muita especulação, o ex-jogador Carlos Alberto Garcia concorreu sozinho ao cargo.
O ''Bem-amado'' foi escolhido por um grupo de empresários e políticos locais para abraçar a causa. Acabou desamparado, cheio de problemas e traído pelas pessoas de confiança que ele colocou no comando do clube. Abandonou o barco com pouco mais de oito meses de trabalho. A consequência dos problemas administrativos se refletiu nos gramados, com o rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro. O vice, o advogado Marcelo Leal, assumiu até que novas eleições fossem realizadas, mas outra vez ninguém se ofereceu, até que Garrote, numa atitude impulsiva, assumiu o clube.

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