''Quer a manchete? Então escreve aí: é claro que não!'' Provocado se a trajetória alviceleste no Campeonato Paranaense estaria por um fio, Raul Plassmann é contundente ao verbalizar um sentimento que ronda os limites da esperança. Na contramão do comportamento usual dos técnicos de futebol, quase sempre indiferentes ao lidar com profissionais de imprensa, Raul não abandona o bom humor mesmo em situações delicadas. E o compromisso de hoje é um dos mais difíceis dos últimos tempos. Como apenas empatou na primeira semifinal realizada no Estádio do Café, semana passada, o Tubarão terá de vencer hoje o Atlético às 16 horas, na Arena da Baixada, se quiser disputar uma decisão de estadual depois de 12 anos.
Durante a semana, os treinos físicos, técnicos e coletivos dividiram espaço com o bate-papo, aquela conversa informal no centro do gramado. Em uma delas, Raul disse que ouviu o que precisar ouvir. A motivação ainda resiste. ''Eles estavam sentados no gramado, e cheguei perguntando: 'e aí gente? Acabou? Vamos deixar barato? Eles responderam na hora: 'claro que não, tem jogo ainda professor, tem jogo ainda'', relatou o treinador, logo após o coletivo-apronto de sexta-feira de manhã, no Estádio do Café.
O otimismo pode ser interpretado por alguns como exagerado, levando em conta as dificuldades de se jogar na Arena. Mas foi uma alternativa viável que o grupo encontrou para amenizar o favoritismo do Furacão, que depende de um simples empate para avançar a mais uma decisão. ''São jogadores que ainda estão buscando algo mais no futebol, querem se firmar, e estão motivados a aparecer no cenário nacional. E eles merecem por tudo que fizeram até aqui pelo clube'', disse Raul, nome mais cotado pela diretoria para continuar no cargo na Série B do Campeonato Brasileiro.
Para Raul, os desfalques do Furacão, como Dagoberto, Adriano e Rogério Corrêa, são vistos com naturalidade. ''Um time como o Atlético não sofre este tipo de problema. O futebol era assim nas décadas de 60 e 70, quando comecei a jogar. Se o Santos não tinha Pelé, tinha Coutinho no lugar. No Cruzeiro, se Dirceu Lopes não jogava, jogava o Tostão'', relembrou. ''Então acho que estes desfalques não terão papel decisivo no resultado''.
Uma vitória na Arena da Baixada, e a classificação para a final do estadual, serão recebidos com prazer por Raul, um técnico que passa por um momento de afirmação na categoria. ''Se ganhar será ótimo para mim, e também para os jogadores. Treinador hoje não vive de outra coisa se não de resultados, de vitórias. Às vezes o técnico é excepcional, inteligente, mas não é valorizado porque não ganha'', argumentou.
O Tubarão defende também uma série de nove jogos sem derrota. Foram cinco empates e quatro vitórias. Já o Atlético continua invicto na competição.



Em Curitiba

Atlético

Diego; Alessandro Lopes, Marinho e Ígor; William, Alan Bahia, Fernandinho, Jádson e Marcão; Ilan e Washington. Técnico: Mário Sérgio

Londrina

Marcelo; Carlos Alberto, Scharles, Rodrigo e Fabinho; Rocha (Rogério), Germano, Eduardo Neves e Nem; Léo e Cahê. Técnico: Raul Plassmann

Árbitro: Marcos Tadeu da Silva Mafra
Estádio: Arena da Baixada
Horário: 16 horas

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