LEC divide coração botafoguense
Se fosse na Loteria Esportiva, o londrinense João Bim, comerciário, 23 anos, cravaria coluna do meio. O coração do torcedor ficou muito dividido durante o jogo de ontem no Estádio Santa Cruz. Ele disse que era Londrina desde criancinha, mas, ao se mudar para Ribeirão Preto, aprendeu a gostar do Botafogo.
Nunca imaginei que iria enfrentar uma situação dessas, confessa Bim, que, antes de ir ao estádio, ainda não sabia se teria coragem de comemorar os gols do Botafogo ou do Londrina. Amo demais os dois times. Como é que eu poderia pender para este ou aquele? É como se você estivesse na frente de uma briga em família..., compara Bim, que nasceu em Londrina e, em 1982, aos 11 anos de idade, trocou o Paraná pelo interior paulista.
O irmão Zé Aparecido, mais velho que ele, o levava frequentemente ao Café para ver o antigo Londrina. Eu era pequeno, mas as imagens continuam na minha cabeça. É como se eu ainda escutasse os gritos de É Tubarão, é Tubarão! Um dia, fui lá pra assistir Londrina x Flamengo. Até hoje, revejo na memória aquela arrancada do Júnior, que bateu uma paulada e a bola raspou na trave... Até virei a cara pra não ver o que o gol que não saiu.
Mario CesarDupla vitóriaOs aposentados Delson (E) e Jorge no Pinguim: previsão otimistaDos jogadores do antigo Londrina, Bim não se esquece do atacante Carlos Alberto Garcia e do goleiro Neneca. No entanto, nunca conseguiu decorar os nomes dos craques atuais. Só um chamou a atenção dele na TV. Aquele moreninho centroavante (Mauro) inferniza as defesas. A defesa também me parece muito forte.
Enquanto isso, o baiano meio carioca Delson Ramos do Rosário, 63 anos, aposentado na área de telefonia, chegou há 20 anos do Rio para fincar raízes em Ribeirão Preto. Delson trabalhou na Standard Electric, que montava estações telefônicas, inclusive para a londrinense Sercomtel. Ele é vizinho do lateral botafoguense Júlio César. Agora, vai. Ninguém segura mais o Botafogo. A segunda vaga, tenho certeza, é do Londrina. Que não duvidem de mim. Modéstia à parte, enxergo um pouco de futebol, esnoba Delson. O Londrina carrega uma longa história. Uma dia, me falaram disso lá na Sercomtel. Nunca mais me esqueci.
Outro carioca que não tira o pé do interior paulista, Jorge Domingos da Silva, 58 anos, aposentado - mora em São Cristóvão (RJ), mas habitualmente passa férias em Ribeirão Preto - é alvinegro lá e aqui. Decidi torcer pro Botinha daqui pra homenagear meu compadre Delson, explica Jorge Domingos.
Ontem à tarde, os dois curtiram uma longa conversa sobre futebol e, entre um chope e outro, no tradicional bar Pinguim, brindaram antecipadamente o desfecho do quadrangular final da Série B do Campeonato Brasileiro. O título é nosso, mas queremos parabenizar o Londrina pelo honroso vice. Estaremos juntos na Série A, prevê Jorge Domingos.Mario CesarCoração divididoO londrinense João Bim ontem em Ribeirão: Amo os dois timesNelson Cilo





