Dois jogadores do Londrina foram dispensados no início do ano por estarem com problemas cardíacos. Um veio junto na caravana palmeirense que desembarcou no VGD em janeiro deste ano e chegou a disputar algumas partidas. O outro estava no Iraty e nem estreou. Os nomes não foram revelados pelo Departamento Médico do clube, que diz se prevenir para que fatos como o ocorrido quarta-feira à noite com o zagueiro Serginho, do São Caetano, que morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória no gramado durante a partida contra o São Paulo, não aconteçam.
O ortopedista Alexandre Queiroz garante que o clube toma todas as providências para apurar a situação do jogador. ''Todo atleta contratado ou que sobe de outras categorias faz avaliações clínica, ortopédica e cardiorrespiratória. Niguém joga sem fazer os exames'', disse Queiroz.
Serginho, segundo companheiros de clube, sabia dos problemas cardíacos e pensava em parar de jogar após o fim da temporada. O cardiologista Luiz Carlos Miguita, que há 30 anos cuida do setor no Departamento Médico do Londrina, afirmou que não permite que os jogadores atuem se constatado algum problema.
Segundo ele, qualquer doença do coração pode desencadear uma arritmia e, acima dos 40 anos, infartos e mortes súbitas. ''São doenças fáceis de serem detectadas'', disse.
Ele afirmou que é importante que pelo menos uma bateria de exames, que inclui eletrocardiograma, raio-X, testes de esforço e ecocardiograma, seja feita anualmente.
De acordo com Miguita, no entanto, nem todas as doenças cardíacas impedem os jogadores de seguirem a carreira. ''Mas existem aquelas totalmente contra-indicadas'', ressaltou. Entre elas, estão a esternose sub-aórtica, que consiste em um aumento do septo do coração, obstruíndo a artéria aorta é uma doença congênita , e a Síndrome de Wolf Parkinson White, cujo o portador tem um fio elétrico excedente. ''No esforço, pode desencadear substâncias que descontrolam o ritmo cardíaco (arritmia), como a adrenalina'', exemplificou.
O médico explicou que quando ocorre uma arritmia, usando um aparelho desfibrilador a chance de ressuscitação no primeiro minuto são de 70%. A cada minuto cai dez pontos. ''Em dez minutos a chance é zero'', afirmou. O atendimento a Serginho foi demorado.
Miguita informou que o coração não pára de repente e o choque, provocado pelo aparelho, ou mesmo uma pancada forte pode ressuscitar a vítima. ''O coração, quando bate normal, tem uma voltagem. Na doença, ocorre uma instabilidade elétrica e o desfibrilador traz a estabilidade'', instruiu.
Os atletas de fim de semana são mais suscetíveis a sofrer um mal súbito. A chance de ocorrer com um atleta profissional é de 1% a 5 % de acordo com o médico. Com os amadores, a probabilidade é muito maior. Segundo o cardiologista, isso ocorre pela falta de prevenção dessas pessoas, que, muitas vezes, abusam de bebidas e alimentos gordurosos. ''Se tiver uma doença e não sabe pode morrer. A silenciosidade de muitas doenças do coração podem causar a morte. O fato de não ter sintomas não exclui a doença. Já atendi muitos casos assim e outros de jovens que sabiam que tinham problemas e insistiam em jogar. Acabam morrendo. Cerca de 33% das mortes no Brasil são por doenças cardiovasculares'', alertou.

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