LEC continuará vivo, garante Garrote
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domingo, 19 de setembro de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
A possibilidade de dissolução existiu na reunião de sábado. Um clube de 47 anos, três vezes campeão do Estado e campeão da Taça de Prata de 1980, esteve na iminência de encerrar as atividades. Jogado às traças, afundado numa crise institucional, que culminou com o rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro, o Londrina Esporte Clube ganhou pouco mais de dois meses de sobrevida graças ao desprendimento do microempresário Agostinho Miguel Garrote, 51 anos, que assumiu a presidência do clube no sábado.
Para evitar um colapso generalizado, com a ausência de competições oficiais no próximo ano, Garrote trabalha em busca de novos patrocinadores. Ontem à tarde, foi o primeiro dia como presidente em seu retorno ao Tubarão ele assumiu o cargo interinamente no biênio 2000/01. ''Se fosse hoje, estaríamos fora do Campeonato Paranaense. Mas só por uma fatalidade o time não vai disputar o Estadual. O Londrina continuará vivo'', disse.
O prazo para angariar novos parceiros, dispostos a injetar dinheiro em um clube com R$ 8 milhões em dívidas, vai até o dia 1º de dezembro, quando Garrote pretende apresentar seu projeto para o próximo ano. Até lá, o trabalho é de captação.
A alemã Hexal, que instalou uma unidade de fabricação de remédios em Cambé, continua sendo a prioridade. Garrote disse que ainda não foi procurado pela diretoria da empresa, mas afirmou que está disposto a conversar. ''Este negócio de parceria é demorado, não se define nada de um dia pro outro. Mas durante esta semana pode acontecer alguma coisa, estou aberto a negociações'', esquivou-se.
Como não existe detalhes concretos com a gigante do setor farmacêutico, o presidente trabalha com outras alternativas, sem divulgar, porém, quem seriam os possíveis novos parceiros. ''Ontem (sábado), já tinha alguma coisa. Hoje (ontem), temos mais uma coisinha. Pode escrever que daqui a 15 dias, com certeza, teremos alguma coisa definida, seja com a Hexal ou qualquer outro grupo'', garantiu.
Outra preocupação é pagar os salários atrasados. Amanhã, mais ciente da realidade financeira do clube, Garrote planeja reunir os jogadores e apresentar o planejamento da nova diretoria. A possibilidade de calote, segundo ele, está totalmente descartada. ''Nós pagaremos sim o que está pendente. Vamos passar as reais condições do clube e dar nossa palavra que os salários serão pagos'', afirmou. Entre jogadores e comissão técnica, o Londrina deve, em média, três meses de salários. ''Não daremos calote em ninguém, se o Londrina tiver quer morrer, morrerá com dignidade''.


