LEC comemora 20 anos do último título estadual
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Thiago Mossini <br> Reportagem Local 
Dezenove de dezembro de 1992. Há exatos 20 anos, Londrina era pintada de azul e branco. Era uma onda alviceleste que percorria as ruas de carro, moto, caminhão, carroça, a pé. Todos em êxtase, afinal, o Paraná também havia sido pintado com as cores do céu. O Londrina era o legítimo campeão paranaense, incontestável, diante de um de seus maiores rivais, o União Bandeirante. Há 20 anos, o torcedor alviceleste sentiu esse gosto de ver o Trio de Ferro pelo retrovisor pela última vez.
De lá para cá, o time ainda conseguiu ser vice-campeão nos dois anos seguintes, esboçou um possível acesso na Série B do Brasileirão por duas vezes, faturou a Copa Paraná de 2008 e ganhou duas Segundonas paranaenses, algo que não enche tanto de orgulho um clube vencedor.
O Londrina campeão de 1992 tinha como característica principal o aproveitamento dos jogadores formados no clube, foco da administração do então presidente Dorival Pagani, iniciada no fim de 1988. No ano seguinte, boa parte do elenco campeão em 92 começou a ganhar oportunidades na equipe principal. Aléssio, Souza, Alexandre Bianchi, Zé Roberto e cia. foram ganhando espaço e experiência nos anos seguintes.
''Cerca de 70% do grupo era formado em casa. Quem era contratado, chegava para jogar e dar força para os jovens. Ali (no Paranaense de 1992) chegou o momento do resultado desse trabalho. Jogador feito em casa olha o time de uma maneira diferente dos outros. Ele sente mais o calor, a vontade de brigar pelo clube, procura trabalhar mais direitinho até para vencer junto com o time e os dois progredirem com isso'', relembrou o então diretor de futebol do clube, Aldivino Generoso.
''Não me lembro se eram 14 ou 15 da base e quem não era formado no clube, era jogador que pertencia ao clube. Nunca gostei de trabalhar com jogador de empresário. Comprei o passe do Tadeu, do Márcio, do João Neves'', completou Pagani.
O campeonato
Comandado pelo folclórico Varlei de Carvalho, considerado retranqueiro, pelo excesso de zelo com a parte defensiva do time. Como a vitória valia dois pontos e não três como agora, o empate não era mau negócio.
O Londrina até começou o Campeonato Paranaense de 1992 de forma arrasadora, com três vitórias consecutivas. Porém, parou por aí. A partir da quarta rodada começou a sina dos empates, 12 ao todo na primeira fase, sendo dez seguidos. Os resultados deixaram o time um tanto quanto desacreditado para a segunda fase, mas foram também os responsáveis pela classificação para o quadrangular que definiria os semifinalistas.
Nesta fase foram três vitórias, duas derrotas e um empate, que valeram a vaga na semifinal para encarar o Atlético. No primeiro jogo, o Londrina foi arrasador: 3 a 1, com gols Cláudio José, Aléssio e Marquinhos.
Na volta, em Curitiba, o Tubarão jogava pelo empate, mas foi engolido pelo Furacão, que fez 2 a 0 ainda no primeiro tempo, com Tico e Marco Antonio. Veio a prorrogação e o massacre atleticano. ''A partir da prorrogação, o Atlético massacrou a gente. Ali deu um momento em que eu achei que a 'barca' havia furado, que não iríamos suportar. Mas acabou 0 a 0 e fomos para os pênaltis. Aí é sorte'', relatou Márcio Alcântara, um dos líderes do elenco.
Nos pênaltis, vitória por 4 a 3 e vaga carimbada na decisão. Uma final caipira depois de 11 anos - em 81, Londrina e Grêmio Maringá decidiram o título. Do outro lado, o União Bandeirante, cujo estádio não tinha capacidade para receber os jogos da decisão e as partidas foram agendadas para o Estádio do Café.
Para a decisão, o Londrina perdeu o treinador. Varlei foi suspenso e Aldivino Generoso ficou no banco nas três partidas. No primeiro duelo, empate em 0 a 0. Veio o segundo jogo, o União abriu 2 a 0 e o Londrina jogava mal. Mas veio o segundo tempo e o Tubarão melhorou. Aos 22 minutos, Tadeu diminuiu de pênalti. A pressão alviceleste aumentava, mas o gol não saía. Os torcedores do União já comemoravam e os do Londrina deixavam o Café. Até que aos 44 minutos do segundo tempo veio o gol do empate e praticamente o do título. Tadeu cobrou falta, Leco desviou na primeira trave e Márcio Alcântara fez de cabeça. ''Foi muito emocionante. Não tem como explicar aquilo. A maioria da torcida já estava fora do estádio, aceitando a derrota. São coisas do futebol'', afirmou Alcântara.
O gol que forçou a realização da terceira partida foi balde de água fria no União, que estava com o título nas mãos e, por outro lado, encheu de confiança e ânimo o Londrina para o terceiro e último duelo da decisão. ''O União praticamente deu adeus ali naquele gol. Fomos campeões ali. Não tenho dúvida. Abalou demais o União e deu muita moral para a gente. Eles estavam com o título na mão, com a torcida festejando'', lembrou Generoso.
Na terceira partida, o herói alviceleste até então estava suspenso. Márcio Alcântara daria lugar a João Neves, o predestinado. E aos 35 minutos de jogo, o zagueiro de 1m90 de altura, pouca técnica, muita força, com fama de jogador problema, subiu para cabecear e fazer o Estádio do Café ir abaixo. Tubarão 1 a 0, tricampeão paranaense.
''Esse título marcou bastante. Foi a última conquista. Estamos há 20 anos sem título. Graças a Deus me deu uma reputação muito boa na cidade. Aonde passo lembram que fui o presidente campeão'', contou Pagani.


