A busca de um novo tempo para o Londrina Esporte Clube, baseado na profissionalização em busca de resultados a médio e longo prazo, está começando pela estrutura fora de campo. O clube, que já contava com nutricionista, ortopedista, cardiologista e fisioterapeuta em seu departamento médico, agora tem à disposição também uma estrutura de avaliação só encontrada em equipes da Primeira e da Segunda Divisão do futebol nacional.
O novo elenco que se prepara para a disputa da Copa 100 Anos, da Federação Paranaense de Futebol, iniciou ontem uma série de exames apurados e de avaliações cardiológicas. Os testes indicarão o estado físico atual de cada atleta, a resistência cardiorespiratória e o quanto precisa ser trabalhado pelos profissionais do clube para melhorar a condição de cada um.
Numa bateria de exames nunca antes realizada na história do Tubarão, seis atletas se dirigiram ontem ao Instituto do Joelho, onde fizeram avaliações nutricional e ergoespirométrica (cardiopulmonar), enquanto outros foram ao Centro do Coração fazer eletrocardiograma e avaliação cardiológica com Luiz Carlos Miguita, que também é o chefe do Departamento Médico do Londrina.
Até amanhã todos os jogadores terão passado pela bateria de avaliações, que iniciou com os trabalhos no Centro de Excelência no Esporte da UEL (Cenesp) e terminará com exames laboratoriais de todo tipo.
''Nunca tinha feito tanta avaliação em clínicas. O normal nos clubes é só exame cardíaco e os outros de rotina para ver se o cara está legal para jogar'', comentou o volante Alemão, que veio da Portuguesa Londrinense e está no LEC desde o início do ano. O zagueiro Robson, que veio do Paulista de Jundiaí após disputar a Copa São Paulo de Juniores, achou novidade o ergoespirômetro, no qual o atleta é avaliado correndo sobre uma esteira. ''Nunca tinha visto esse aparelho na vida'', afirmou.
O equipamento é novidade na cidade, segundo o médico do LEC, Alexandre Queiroz. ''Ele pode mostrar riscos de infarto, arritmia ou de qualquer lesão cardíaca, além de nos dar com precisão em que nível de atividade o atleta está e até onde pode chegar. É o padrão de ouro da avaliação de um atleta'', ressaltou. Segundo Queiroz, o que está se fazendo hoje no Tubarão não existe ''em nenhuma outra equipe do interior do Paraná''. ''Pelas informações que temos, só o Atlético-PR faz isso rotineiramente'', disse.
Nova filosofia O cardiologista Miguel Morita informou que a intenção é colocar toda a equipe multidisciplinar do Instituto do Joelho (o serviço de check-up completo) à disposição das equipes profissionais, amadoras e de alto rendimento da região. Os primeiros clientes foram o LEC e atletas da seleção brasileira de taekwondo.
A nutricionista do Tubarão, Paola Lara, que integra a equipe da clínica, comentou que esse trabalho ''mais científico'' faz parte da nova filosofia do clube. ''Assim podemos saber as condições exatas do esportista para extrairmos o máximo dele''.
Os resultados em campo, segundo Queiroz, devem aparecer a médio prazo. ''O objetivo deste trabalho é fornecer dados individualizados para que o preparador possa potencializar o aproveitamento físico dos jogadores. E a parte física pode ser um diferencial da equipe contra os adversários'', explicou.
Outra vantagem é o clube precaver de eventuais problemas que algum jogador possa apresentar, antes de contratá-lo. ''Estou há seis anos no clube e já recusamos uns quatro ou cinco atletas da Série B que corriam riscos cardíacos'', contou Queiroz.

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