Leão silencia e evita abafa polêmica
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segunda-feira, 12 de abril de 1999
Por José Rodrigues 
Santos, 13 (AE) - O técnico do Santos, Emerson Leão, teve hoje seu dia de Armando Falcão - o ministro da Justiça do período militar que escapava de perguntas embaraçosas sempre com a mesma frase: "Nada a declarar". E foi assim que Leão reagiu hoje ao ser questionado sobre as declarações do médico e ex-gerente de futebol do Santos, Marco Aurélio Cunha. Ao anunciar sua demissão ontem (12), Cunha chamou Leão de ditador e fez duras críticas aos seus métodos de trabalho. "Nada a declarar", repetiu Leão, todas as vezes em que foi questionado sobre o assunto.
O técnico se dizia mais preocupado em preparar a equipe para a partida de sábado, contra o União Barbarense, pelo Campeonato Paulista. O Barbarense, lembrou ele, venceu o Corinthians na rodada de domingo passado por 3 a 1 e ocupa a terceira colocação do grupo 4. "Não ter jogo na quarta-feira é ruim do ponto de vista financeiro, mas tem seu lado positivo, já que dá tempo para a recuperação dos atletas e permite ao treinador consertar as falhas do time e dá para treinar mais", disse o treinador.
Para o jogo de Sábado, o time só deverá ter alterações se o zagueiro Argel for suspenso pela sua expulsão domingo, no jogo contra a Portuguesa Santista. O ponteiro Alessandro e o lateral-direito Michel serão mantidos na equipe, mesmo com as críticas que receberam por parte do treinador. "A seleção normalmente quebra o ritmo e por isso o jogador deve reiniciar o quanto mais cedo o trabalho no dia-a-dia", disse ele, revelando que tirou Alessandro porque o atacante cansou. No sábado, ele volta, avisou Leão. "Ninguém perde a posição apenas por uma partida, mas por uma repetição de más partidas".
Leão não acredita que a queda de rendimento do lateral-direito Michel possa ser atribuída a um deslumbramento pela convocação para a seleção pré-olímpica. "Ele não se empolga com a seleção, mas com tudo que tem ocorrido em sua carreira e isso é uma coisa normal no ser humano".
CAMPEONATO - O teinador está de olho também nos adversários do outro grupo, já pensando na vantagem no quadrangular final. É que os dois times que tiverem o maior número de pontos levam a vantagem de jogar por dois empates na fase seguinte. Hoje o Santos ocupa a primeira colocação do Grupo 4, com 14 pontos mas Palmeiras e São Paulo, do Grupo 3, conseguiram até aqui 19 e 17 pontos, respectivamente. "Não podemos nos preocupar só com a nossa chave, sabendo que o segundo do outro grupo está com três pontos a mais e isso pode pesar na semifinal", disse o treinador.
Ele estava preocupado também com o fato de contar com cinco jogadores emprestados, quando o regulamento só permite que leve quatro atletas nessa condição para os jogos. Viola, Andrei, Rodrigo, Lúcio e Aristizábal estão nessa situação e, quando a documentação do japonês Sugawara estiver regularizada, será mais um problema para o clube.
"Alertei a diretoria para essa situação e, se não houver a mudança nos contratos, alguém terá de ficar de fora", concluiu Leão, destacando que há equipes com 90% de jogadores emprestados e que não encontram obstáculo pelo tipo de contrato que fizeram.


