Evitar que a Seleção Brasileira fique quatro meses sem jogar e sofra ainda mais com a falta de entrosamento é a principal preocupação do técnico Emerson Leão. O treinador quer que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) marque pelo menos dois amistosos antes do próximo jogo. A equipe só volta a atuar pelas eliminatórias no dia 27 de março, quando enfrenta o Equador.
‘‘Estamos planejando a realização de amistosos. Toda vez que houver a possibilidade, vamos marcar esses jogos’’, disse Leão ontem, um dia após estrear no comando da seleção vencendo a Colômbia por 1 a 0, no Morumbi.
Apesar da preocupação do treinador, a CBF não definiu datas e adversários para esses jogos. O coordenador da seleção, Antônio Lopes, concorda com o pedido do treinador. Mas, segundo Lopes, as partidas só poderão acontecer em fevereiro. Na opinião do coordenador, convocar a equipe em janeiro seria pouco produtivo, pois os jogadores estariam voltando de férias, fora de forma.
Por isso, os amistosos devem ser marcados entre fevereiro e o começo de março. Os jogadores, que continuam em atividade por seus clubes, também se preocupam com a folga na tabela das eliminatórias. Eles temem que esse intervalo na competição dificulte ainda mais o entrosamento da equipe, que fez a sua primeira partida sob o comando de Leão diante da Colômbia, anteontem.
‘‘O entrosamento sempre facilita porque você sabe como o outro jogador atua’’, disse o meia Juninho, do Vasco.
Cafu – Depois de completar seu centésimo jogo pela Seleção Brasileira, o lateral-direito Cafu, 30 anos, criticou a torcida paulista por causa das vaias durante a partida contra a Colômbia, anteontem, no Morumbi. Cafu atingiu a marca histórica, segundo contas da CBF. A festa aconteceria ontem à noite na casa de parentes, na zona sul de São Paulo.
O lateral, que atuou como capitão da equipe, reclamou do comportamento do público. Além de vaiar o time de Emerson Leão, os torcedores atiraram bandeiras do Brasil no gramado, protestando contra o futebol apresentado pela seleção. ‘‘No momento em que a gente mais precisava de apoio, eles vaiaram. Por causa disso, tivemos uma dificuldade a mais para superar em campo’’, afirmou o jogador.
Segundo Cafu, alguns jogadores ficaram abatidos com as vaias da torcida. Ele chegou a consolar Rivaldo, atleta mais criticado pelo público no jogo de ontem. ‘‘Falei ao Rivaldo que ele é um grande jogador e que tem que superar esse tipo de problema’’, declarou.
O lateral também já foi alvo da raiva da torcida vestindo a camisa da seleção. Os momentos mais críticos aconteceram no Maracanã. Ele foi xingado pelos torcedores no empate em 1 a 1, contra o Uruguai, neste ano, pelas eliminatórias, e na derrota por 1 a 0 para a Argentina, no último amistoso da seleção no Brasil antes de disputar a Copa de 1998.
‘‘Tive tranquilidade para superar tudo isso. Alguns atletas têm mais dificuldade nesses momentos, por isso espero que, a partir de agora, a torcida apóie a seleção brasileira sempre’’, disse o lateral.

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