São Paulo - Pressionado, desentrosado e com medo, muito medo. Este é o Corinthians que visita o Marília hoje, às 21h45, pelo Campeonato Paulista. Atolado na crise após a surra para o Palmeiras, no domingo, só a vitória mantém a remota chance de classificação para as s semifinais do torneio. E, consequentemente, o emprego de Emerson Leão, respaldado agora apenas pelo presidente Alberto Dualib.
Leão vive o seu pior momento no clube, desde sua chegada em agosto de 2006. Aos poucos, o até então intocável treinador vai ganhando desafetos no clube. Primeiro foi a oposição que pediu sua degola. Depois, segundo ele, a imprensa é quem colocou sua cabeça a prêmio. Agora, sua guerra é com a principal torcida corintiana, a Gaviões da Fiel.
''Leão, técnico vive de resultados'' e ''Aí, Leão, quando vão vir as vitórias, meu irmão?'', foram as críticas diretas ao treinador numa manifestação de 12 torcedores ontem, no clube, entre eles Wellington Rocha, o Tonhão, presidente da Gaviões, e seu irmão e vice, Wildner Rocha, o Pulguinha.
Na quarta-feira passada, um dia antes do jogo decisivo frente o Pirambu, representantes da organizada estiveram no Parque São Jorge para dar uma ''preleção'' para Leão e os jogadores. O técnico garantiu a eles que as vitórias retornariam, principalmente no clássico. Não ganhou do Palmeiras e perdeu a confiança dos torcedores.
''A torcida do Corinthians é formada por milhões. Reclamação de 10 ou 15 não muda nada'', desdenhou o treinador, visivelmente transtornado após o coletivo. Normalmente sisudo e às vezes grosso em suas respostas, ontem mostrava destempero acima do normal, com tom de voz mais alto e palavras de baixo calão.
Os torcedores chamaram o time de ''bando de pipocas'' e ameaçaram até com violência física. ''Será no amor ou no temor.'' O técnico quis fazer pouco caso da pressão da torcida, que pediu para ele mais respeito com os garotos da base.
A indignação é por ver Élton ser liberado pelo treinador para ser vendido para a Romênia, Marcelo e Eduardo Ratinho perderem a vaga de titular, Rosinei ser desprezado e Wilson preterido por Amoroso, visivelmente sem condições de jogo.
Pressão à parte, o técnico segue com o discurso de que ainda é possível levar o time às semifinais do Paulistão. ''Priorizo cada jogo. Se conseguirmos seis vitórias no Paulista, conquistamos uma vaga. É difícil, mas não impossível'', filosofou, ao ser questionado se, daqui para a frente, ele pretendia priorizar a Copa do Brasil.
Para ele, a fórmula é simples. ''Com raça e coração. Como dizia o caipira, com muita, demais.'' Em relação ao time que apanhou do Palmeiras, serão cinco modificações. Betão, que cumpriu suspensão, Marcos Tamandaré, Wellington, Willian e Amoroso começam jogando, nos lugares de Magrão (suspenso), Ratinho, Carlão, Roger (também suspenso) e Nilmar.


EM MARÍLIA

Marília

Júlio César; Dedimar, Rogério e Leandro Camilo; Rafael Mineiro, Fernando, Max Carrasco, Camilo e Rodolfo Augusto; Wellington Amorim e Wellington Silva. Técnico: Lori Sandri

Corinthians

Jean; Gustavo, Marinho e Betão; Marcos Tamandaré, Marcelo Mattos, Daniel, Willian e Wellington; Amoroso e Arce. Técnico: Emerson Leão

Árbitro: Élcio Paschoal Borborema
Estádio: Bento de Abreu
Horário: 21h45

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