São Paulo - Uma derrota para a Portuguesa, hoje, às 18h10, no Canindé, vai decretar o fim da era Emerson Leão no Palmeiras. ''Estamos no limite, que são duas derrotas seguidas'', disse o treinador. ''Nada me prende aqui. Não tenho multa em caso de rescisão de contrato. E você acha que eu estou preocupado?''
O relacionamento do treinador com os jogadores começou a se desgastar após a derrota, por 4 a 2, para o São Paulo, dia 5 de fevereiro, e se tornou quase insuportável após a goleada sofrida para o América, quarta-feira, no Palestra Itália, por 4 a 1. ''Todo ser humano tem o seu limite. A cumplicidade (entre comissão técnica e jogadores) foi perdida no jogo com o América. Mas quando não há liga é preciso trocar as peças.''
Perguntado quais seriam as peças, Leão disparou. ''Todo mundo. Tudo pode acontecer. Eu estou de saco cheio como todo mundo está aqui com esta atual situação.''
Leão não quer deixar o Palmeiras indisposto com a diretoria. Tem grande respeito pelo presidente Affonso Della Monica e um relacionamento quase fraternal com o diretor de Futebol, Salvador Hugo Palaia. A sua intenção é sair do clube pela porta da frente. ''Nunca vi um relacionamento tão bom entre diretoria e comissão técnica. Mas futebol é resultado e preciso ser realista''.
Herança do passado Segundo o treinador, ''os últimos 12 anos deixaram o Palmeiras retrógrado'', referindo-se à gestão de Mustafá Contursi. ''Muita coisa foi feita desde quando cheguei aqui, muito mais precisa ser feito, mas os resultados não vêm da noite para o dia.''
Sobre a pressão que o clube sofre por causa dos títulos conquistados recentemente, pelos rivais Corinthians, São Paulo e Santos, Leão foi direto. ''O Palmeiras é um clube grande e precisa rapidamente de títulos.''
O time pode sofrer pressão. Leão, não. ''Eu mesmo impus uma pressão sobre mim ao aceitar um contrato sem multa rescisória. Não reclamo de nada. Só tenho a agradecer. Nossa realidade aqui no Palmeiras é muito difícil, mas feliz daquele que tem uma realidade no Palmeiras.''



EM SÃO PAULO

Portuguesa

Gléguer; Jakson, Sílvio Criciúma, Du Lopes e David; Almir, Rodrigo Pontes, Jorginho e Cléber; Leandro Amaral e Johnson. Técnico: Edinho

Palmeiras

Sérgio; Correa, Daniel, Gamarra e Márcio Careca (Lúcio); Marcinho Guerreiro, Reinaldo (Alceu), Ricardinho e Marcinho; Edmundo e Claudio. Técnico: Emerson Leão

Árbitro: Paulo César de Oliveira
Estádio: Canindé
Horário: 18h10

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