Santos, 07 (AE) - O técnico Leão vai administrar a vantagem de jogar pelo empate no clássico de amanhã contra o Palmeiras, que vale uma vaga para a final do Paulista. Vai exigir de seus jogadores uma marcação ainda mais forte para tentar a vitória nos contra-ataques. "Vai ser um jogo de risco calculado", prega ele, ressaltando que agora seu time só tem uma preocupação - a de não perder - enquanto o adversário não pode empatar ou ser derrotado. A diretoria contratou 50 ônibus para levar 2 mil torcedores amanhã ao Morumbi.
A equipe deverá ter apenas uma modificação, com a entrada de Andrei, que cumpriu suspensão, na quarta-zaga. O volante Claudiomiro, expulso sábado na primeira partida contra o Palmeiras, deverá ser julgado no final da tarde desta terça-feira e, independente do resultado, terá condições de jogo. É que uma eventual punição só será comunicada ao Santos quarta-feira, depois da partida, valendo para o jogo seguinte.
Com essa modificação, o time retoma sua formação programada para disputar a semifinal, com reforço de marcação pelo lado esquerdo, abrindo maior possibilidade de ataques com o uso dessa parte do campo por Paulo Rink. Leão espera com isso segurar o adversário, num forte esquema de marcação, pois Luiz Felipe Scolari deverá colocar em campo sua força máxima, já que seu time só se classificará com uma vitória.
O predomínio técnico é do Palmeiras, mas Leão entende que "uma partida de final não é só de técnica, é um jogo de conjunto, de raça e, logicamente, um jogo de sentimento". Essa visão foi passada aos jogadores. Para o capitão Jorginho, "o Palmeiras virá com sua força máxima e o Santos com sua vontade máxima". Ele ficou satisfeito com a vitória de sábado, mas revelou, já pensando no clássico de amanhã: "sempre quero mais".
O experiente capitão não se ilude com o bom resultado do fim de semana e lembra que "não está perdido, assim como nada foi ganho", disse Jorginho. "Vamos lutar por essa vitória, mesmo precisando de apenas um empate, pois só ela nos interessa". Ele encara o sacrifício da longa concentração no Sítio Santa Filomena como "a coisa mais importante da vida" e comenta suas razões: "estou há 20 anos no futebol e não tenho o título de campeão Paulista e o Santos está lutando há 15 anos para conquistar mais um título importante como esse".
Paulo Rink lembra que "o Palmeiras não tem mais a vantagem do empate que tinha", mas admite que isso não é motivo para que sua equipe se acomode. Para ele, a decisão da vaga para a final era um jogo de 180 minutos. "Acabou o primeiro tempo, em que revertemos a vantagem do adversário e agora temos que manter a vitória para atingir nosso objetivo".
Sabe das dificuldades e não considera que o time colocado em campo por Felipão no sábado seja reserva. "São todos jogadores de Seleção", lembrou. "Sábado eles jogaram com uma equipe, amanhã podem vir com um time totalmente diferente e nós temos que nos comportar da mesma maneira, jogar tranquilo e tentar fazer o resultado". Para isso, acha que seu time não deve jogar defensivamente, mas executar "um futebol esperto, que não deixa o adversário atacar e, no contra-ataque, define a partida".
Santos - Zetti; Anderson, Argel, Andrei e Gustavo; Claudiomiro, Narciso, Jorginho e Paulo Rink; Alessandro e Viola. Técnico - Émerson Leão.

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