Leandro Oliveira: um policial de ouro
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Agência Estado 
Guadalajara - O policial militar e meio-fundista Leandro Prates Oliveira sentiu um leve desespero quando sentiu o vulto amarelo do equatoriano Byron Piedra se aproximando perigosamente do seu ouro. Por muito pouco, o adversário, que é bicampeão sul-americano, não lhe tomou a vitória. Mas o baiano de Vitória da Conquista se saiu vencedor na disputa da prova dos 1.500 metros, na noite de quarta-feira, em Guadalajara, graças à diferença de um mísero centésimo de segundo. Foi um desespero leve. Os maiores sobressaltos de sua vida ocorreram durante o período em que trabalhou madrugada adentro, atendendo às ligações do 190.
Depois de seis meses patrulhando as ruas do centro da capital paulista, como soldado do 11º Batalhão, ele resolveu se transferir para o atendimento do 190. A ideia era ter uma rotina não tão desgastante, que lhe poupasse energia para os treinos de corrida. Leandro ficou dividido, mas acabou seguindo esse caminho. ''Eu não entrei na polícia não só para ter um emprego, queria prender ladrão'', afirmou.
Ao enfrentar a rotina telefônica diária, ele sentiu que não se transformou num mero burocrata fardado. ''A polícia depende demais do 190. Eu atendia 200 ou 300 telefonemas por turno. Quando saía de lá, atendia o meu celular falando 'Polícia Militar, Emergência''', recorda.
Muitas vezes, Leandro vinha de um plantão e ia competir, sem dormir. Foi como atendente do 190 que ele foi campeão ibero-americano dos 3000 metros com obstáculos. Graças aos contatos de seu treinador, Adauto Domingues, que orienta também o maratonista Marilson Gomes dos Santos, Leandro foi transferido para a Escola de Educação Física da Polícia Militar, no bairro do Canindé, onde trabalha no serviço de guarda. ''Não tenho privilégio, nunca quis ter, até para não pegar mal com os meus colegas'', contou.


