Rio - Leandrinho chegou ao Rio num clima de ''agora vai''. Segundo ele, esse é o destino da seleção brasileira masculina de basquete, que finalmente chega para uma competição importante, o Mundial da Turquia, com todos os seus principais jogadores reunidos. Por isso, acredita numa grande participação do Brasil no campeonato que acontecerá entre os dias 28 de agosto a 12 de setembro.
O ala/armador mudará de time na próxima temporada da NBA, a liga norte-americana de basquete. Passará a defender o Toronto Raptors, depois de sete temporadas no Phoenix Suns, onde quase sempre foi opção no banco de reservas. Mas, apesar da ansiedade pela mudança, Leandrinho promete concentração total na preparação do Brasil para o Mundial da Turquia, que começou na última terça-feira no Rio.
Agência Estado - Qual é a sensação de deixar Phoenix após sete anos? A temporada do Toronto nem sempre se estende aos playoffs, e o máximo que a equipe canadense já conseguiu foi um título de Divisão. Existe um lado bom nessa história?
Leandrinho - Com certeza tem um lado bom. É casa nova, estou feliz. Já estou usando os treinos na seleção também para me preparar e chegar bem no Toronto. Quero estar bem para que possam me escalar onde quiserem, como 1 (armador) ou como 2 (ala/armador). O lado bom é que vou jogar. O Jerry Colangelo, um cara que sempre me deu muita força e me escolheu para o time dele, o Phoenix, está lá. Tudo ocorre no momento em que menos se espera. Vai ser legal.
AE - E o ruim?
Leandrinho - O que dói mais são as amizades e os fãs que vou deixar em Phoenix. Não sei direito porque resolveram me mandar para Toronto, se foi opção técnica ou da diretoria. Só sei que quero melhorar minha parte física, meu jogo, meu arremesso e fortalecer o meu pulso. Quero chegar em Toronto firme e forte.
AE - E a seleção brasileira? Já sente um clima diferente agora, no começo do trabalho do Rubén Magnano (técnico argentino que assumiu a equipe recentemente)?
Leandrinho - Olha, todos os técnicos que passaram pela seleção tentaram fazer o melhor. O que o Magnano tem a mais é a experiência de campeão olímpico, de um cara que foi para as cabeças em Mundiais. E o que a gente quer é aproveitar a experiência dele para levar a seleção para o lugar que ela merece.
AE - Você disse que está disposto a jogar como 1 ou 2, e aumentou a necessidade da sua utilização como armador porque o Valtinho mais uma vez resolveu pedir dispensa. Você gosta de armar?
Leandrinho - Adoro jogar de 1. O Magnano já falou que pode querer me usar como 1, então vou treinar para estar firme e forte, para dar o meu melhor na posição que ele quiser. Mas ele tem outras opções. Tem o Huertas, o Raulzinho e o Paulinho, que está chegando agora. E tem mais dois, o Nezinho e o Fúlvio, que ele pode puxar.
AE - E o Mundial? O Valtinho é só mais um da longa lista de jogadores que resolveram não jogar. O Ginóbili (Argentina) não vai, nem o Nowitzki (Alemanha), nem o Pau Gasol (Espanha), e a seleção americana será 100% diferente daquela que foi campeã olímpica em Pequim. Diante disso tudo, fica mais fácil para o Brasil conseguir um bom resultado?
Leandrinho - Não importa quem vai ou não. Nossa confiança ficou grande a partir do momento em que vimos que todo mundo do Brasil vai jogar. A gente não esperava a desistência do Valtinho, mas ainda assim somos um timão. A gente vai firme e forte.
AE - Por falar em Timão, você é de Pirituba. O que está achando dessa conversa de estádio lá?
Leandrinho - Eu estou feliz. Se for estádio da Copa do Mundo, a gente vai poder ver jogo da Copa e também do Timão na minha área. Muita gente não vai ver o Timão porque é longe. Agora vai ser legal. O estádio vai para a periferia. Ou Pirituba vai deixar de ser periferia, sei lá.
AE - Você falou do pulso. Como está?
Leandrinho - Não tá legal ainda depois da cirurgia, mas está ficando. Tá solto, tá frouxo. Preciso fortalecer o antebraço para ele ficar legal.
AE - Já estamos no segundo ano com Carlos Nunes como presidente da CBB. Sente mudanças em relação ao período do presidente anterior?
Leandrinho - Não tem nem o que falar. E a prova disso é que está todo mundo aqui. Está tudo certo. Quadra boa, estrutura. Na quadra, no treino, é só a gente. Ficamos mais à vontade para trabalhar.
AE - ''Só a gente'' significa que é melhor treinar sem a presença da imprensa?
Leandrinho - Quando digo ''só a gente'' quero dizer que só tem a seleção no ginásio. Quando treinávamos no Pinheiros ou no Paulistano, havia os sócios, que tiram o foco. A quadra agora é nossa. A hora que eu quiser treinar arremessos, por exemplo, ela vai estar lá. Antes, não. Só podíamos usar num horário X. É por tudo isso que a gente vai firme e forte.

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