LBC ainda deve salários de junho de 2005
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
O Londrina Basquete Clube (LBC) encerrou as suas atividades esportivas em maio do ano passado, após terminar a sua participação no Nacional de Basquete de 2005, mas parte do elenco que disputou o campeonato ainda não recebeu todos os salários. Por esse motivo e porque ainda precisa quitar débitos junto ao Fisco (como depósitos atrasados de FGTS), o clube ainda não pôde dar baixa na sua documentação e continua aberto administrativamente até que pague todas as suas contas.
Todo esse problema é resultado do não-repasse de verbas por parte da Fundação de Esportes de Londrina (FEL), que reteve duas parcelas no valor de R$ 48 mil cada, porque o clube não apresentou a documentação necessária para retirar os recursos. O LBC teve aprovada, no começo de 2005, uma verba de R$ 310 mil para disputar o Campeonato Nacional. Porém, quase um terço desse valor R$ 96 mil continuam retidos nos cofres do município e não serão mais repassados ao clube porque expirou o prazo do convênio com a FEL.
''O clube não receberá mais essas duas parcelas de R$ 48 mil que estavam atrasadas porque elas constavam no orçamento do ano passado e não poderão mais ser pagas este ano. Esse dinheiro já foi estornado pela Fundação e voltou para os cofres da Secretaria da Fazenda'', informou o diretor-técnico da FEL, Ariobaldo Frisseli. Segundo ele, a retenção se deu porque o clube não apresentou no prazo determinado certidões negativas e não quitou taxas e impostos que devia.
Procurado ontem, o presidente do LBC, Walter Montagna, que estava em São Paulo, disse que a diretoria desistiu de receber o recurso atrasado. ''Já nos desgastamos demais com a Fundação, não vamos polemizar essa questão e nem queremos acionar a Justiça para tentar reaver esse recurso. Temos que pensar pra frente e parar de reclamar do passado'', enfatizou.
Questionado sobre quais eram os débitos que o clube tinha com o Fisco e que o impediam de receber as parcelas atrasadas, Montagna não soube dar detalhes, mas disse que desistiu de negociar com a Fundação porque ''a burocracia era muito grande'' e que ''a cada documento apresentado era solicitado um outro''.
O ex-técnico Enio Vecchi, que dirigiu o clube por nove anos, também foi procurado ontem para falar sobre a questão e reclamou que ''faltou boa vontade da Fundação de Esportes para solucionar o impasse''. ''Os jogadores ficaram com três salários atrasados, tendo que pagar as contas e só foram receber parte do dinheiro agora no final do ano''. Vecchi disse que se depender ''da atual gestão da FEL'', continuará o medo dos jogadores de fora de virem jogar em Londrina. ''Afinal pode voltar a ocorrer essa retenção de verba e eles voltarem a não receber''.
Um atleta que jogou aqui na temporada passada e pediu para não ser identificado disse à Folha que Londrina é conhecida no Brasil como cidade que ''dá calote'' e que não consegue pagar os salários em dia.


