Lazaroni fala sobre evolução tática
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quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
Claudemir Scalone Londrina 
Paulo WolfgangLazaroni em Londrina: Talento e trabalho coletivo são fundamentaisO ex-técnico da Seleção Brasileira de futebol, Sebastião Lazaroni, muda sua rotina de trabalho hoje em Londrina. Sai da beira do gramado onde está acostumado e assume o microfone para dar uma palestra sobre a Evolução Tática no Futebol. O evento, paralelo à 10ª Taça Londrina de Futebol Júnior, é aberto a técnicos de futebol, preparadores físicos e ao público em geral e acontece a partir das 9 horas, no Hotel Bourbon. Não sou um palestrante, minha atividade é no campo, foi logo avisando Lazaroni à Folha. Ele prefere chamar o encontro de um bate-papo e troca de experiências. Vou falar um pouco da história do futebol e da evolução dos sistemas táticos, explicou o novo treinador do Grêmio Portoalegrense.
O trabalho à frente da Seleção na Copa do Mundo de 1990 será um dos tópicos da conversa de Sebastião Lazaroni. Falo como a gente chegou à Copa, da mudança do conceito de posição para função e da valorização do físico-técnico voltado para o trabalho tático. Segundo Lazaroni, de 90 em diante o futebol valorizou o aspecto conjunto. A estrela passou ser o coletivo. Há o especialista, o goleador, mas o fundamental é o trabalho coletivo, frisou.
Lazaroni parece não se incomodar mais com as críticas feitas por sua passagem na Seleção Brasileira no Mundial de 90, quando a equipe foi eliminada pela Argentina. Quando se perde é pé frio, é isso ou aquilo. Ninguém se lembra que em 89 vencemos a Copa América depois de 39 anos, lamentou. Ele considera que seu trabalho serviu de base para o Brasil conquistar a Copa de 94 nos Estados Unidos. As nossas idéias foram aproveitadas e todo o planejamento de 94 foi próximo ao feito em 90. Além disso, ressaltou o técnico, o volante Dunga criticado em 90 (sua geração ganhou a pecha de a Era Dunga) acabou como destaque do título ganho em 94.
Para Lazaroni, o Brasil de Zagallo está no caminho certo para conquistar a Copa da França em 98, mas terá muitos obstáculos. Há várias seleções que podem chegar ao título. Respeito a Alemanha sempre; a França que tem uma das melhores gerações desde o (Michel) Platini e, além disto, o Mundial será lá; ainda tem a Inglaterra, a Itália, a Noruega e a Espanha. Em relação ao ataque brasileiro em que Romário, Bebeto e Edmundo disputam uma vaga ao lado de Ronaldinho, Lazaroni diz que é cedo para definir quem será o titular.
Prestes a assumir o Grêmio-RS - segunda-feira inicia a montagem da pré-temporada de 98 -, Lazaroni se disse honrado em poder trabalhar no clube gaúcho e pronto para encarar mais um desafio em sua vida. Depois de trabalhar no futebol carioca e paranaense (dirigiu o Paraná Clube no Estadual de 96 e no Brasileiro 97), ele não vê problemas de adaptação ao chamado futebol-força gaúcho. Temos que dar continuidade a essa filosofia, mas é fundamental ter talento e o sentido de competição coletivo.


