O laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) confirmou que o Estádio de São Januário estava superlotado e em precário estado de conservação na decisão da Copa João Havelange, entre Vasco e São Caetano, no dia 30 de dezembro de 2000. O presidente do Vasco, Eurico Miranda – na ocasião vice-presidente de futebol –, e o então vice-presidente de patrimônio do clube, José Joaquim Lima, devem ser indiciados nesta semana como responsáveis pelo acidente que feriu 210 pessoas, após a queda de parte do alambrado.
A acusação será a de ‘‘lesão corporal culposa (sem intenção)’’, cuja pena varia de dois meses a um ano de detenção, podendo ser aumentada por ter afetado no mínimo 135 pessoas – que prestaram queixa à polícia. Dados da Defesa Civil do Rio indicam que houve 210 feridos.
Em depoimento à polícia, o então presidente vascaíno, Antonio Soares Calçada, apontou Eurico e Lima como responsáveis pela organização do jogo e pela manutenção do estádio, respectivamente.
De acordo com o laudo, havia pelo menos 5.231 pessoas a mais do que a capacidade máxima de público do estádio. O público oficial do jogo foi de 32.537 pessoas.
O estado de conservação do estádio era ‘‘precário’’, disse o diretor do ICCE, Sérgio Henriques, que dirigiu a perícia. Para ele, o grau de corrosão evidencia que não era feita uma manutenção eficaz havia pelo menos um ano. ‘‘O estádio não é seguro. Havia corrosão em vários pontos da grade, infiltrações e completa irregularidade na construção da grade. Estava tudo errado.’’
De acordo com Henriques, ‘‘a grade funciona como uma armadilha’’, por ter trechos pontiagudos de cerca de 70 centímetros voltados para as arquibancadas, e não é de contenção. ‘‘Se for, rasgo o meu diploma’’, disse.

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