Latinos desafiam o favoritismo africano
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terça-feira, 31 de dezembro de 1996
Agência Estado 
Uma divisão de forças marca a 72ª Corrida de São Silvestre, que será disputada na tarde de hoje, por ruas e avenidas de São Paulo. De um lado, a força dos africanos, com os quenianos Paul Tergat e Simon Chemoiywo à frente, detentores dos primeiros lugares nas corridas dos últimos anos. Do outro, os latino-americanos, representados pelo mexicano German Silva e o paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima, de Cruzeiro do Oeste, que buscam resgatar um domínio perdido nesta década. Com o número recorde de 12 mil inscritos, a disputa estará reunindo atletas de 20 países, que estarão brigando por uma premiação de R$ 42 mil, cabendo ao vencedores, no masculino e feminino, R$10 mil cada.
A disputa, que começa às 17 horas, no masculino, em frente ao Masp, na Avenida Paulista, pode, no entanto, se resumir a uma briga entre os africanos pelo primeiro lugar - donos de uma ascensão nas principais competições do atletismo mundial, os representantes daquele continente figuram como favoritos em todas as listas de apostas. A largada feminina acontece às 15h15.
A cisão é declarada - Temos de formar um grupo favorável aos latinos, prega o mexicano Benjamin Paredes, vice-campeão da Maratona de Nova York de 94 e que participa pela primeira vez da São Silvestre. Se algum atleta do nosso grupo se destacar e apresentar condições de terminar à frente de algum africano, todos devemos ajudá-lo. A união de forças justifica-se: no ano passado, os três primeiros lugares foram ocupados por quenianos.
Neste ano, que consegui fazer uma preparação melhor, tenho chances de conquistar novamente a prova, declarou Simon Chemoiywo, segundo lugar no ano passado e campeão em 92 e 93.
Dispostos a reforçar o grupo latino, os organizadores da prova anunciaram um prêmio extra em dinheiro, caso o vencedor seja um brasileiro. Foi fixado um bônus de R$ 5 mil, obtido junto às empresas patrocinadoras e valerá para as categorias masculina e feminina. O vencedor da prova vai ganhar R$ 10 mil.
Forças Além da motivação extra, a experiência na disputa da São Silvestre é um fator importante. Além da técnica de dosar as forças devido ao calor e umidade, o atleta precisa também conhecer bem o trajeto de 15 quilômetros e preparar um detalhado plano de corrida.
A largada, por exemplo, é um ponto crítico, devido ao grande número de competidores e por ser em descida, comenta Henrique Viana, técnico do brasileiro Luís Antônio dos Santos e que trabalhou com Ronaldo da Costa, em 94, quando foi o vencedor da competição.
Outro detalhe apontado pelo treinador é a subida da Avenida Brigadeiro Luís Antônio, trecho em que o corredor é submetido a uma última e forte exigência muscular. Como a São Silvestre é uma prova mais curta que uma maratona, o atleta tem que utilizar toda sua capacidade para se manter na frente, disse o mexicano German Silva.
Mulheres Na prova feminina, que começa às 15h15, a divisão de forças também é visível, apesar de mais equilibrada. Isso graças à chegada da etíope Fatuma Roba, prevista para hoje cedo - apesar de contar com um currículo expressivo (medalha de ouro na maratona da Olimpíada de Atlanta, além de vencer as maratonas de Marraquesh e Roma deste ano), Roba não terá tempo suficiente para descansar. Com isso, sua condição de favorita fica ameaçada, comentou o diretor técnico da prova, Victor Malzoni Jr.
As apostas voltam-se assim para os nomes da mexicana Maria del Carmem Diaz, tricampeã da São Silvestre (89, 90 e 92) e da queniana Rose Cheruiyot, vice-campeã na corrida do ano passado. Outra forte candidata é a também queniana Pauline Konga, medalha de prata nos 5 mil metros na Olimpíada de Atlanta. Carmem de Oliveira, primeira brasileira a vencer uma São Silvestre (na prova do ano passado), vai decidir se compete minutos antes do início da competição, devido a uma contusão.
Ela tem uma dor no nervo ciático, que acaba provocando dores na perna direita. Ela sentiu a contusão há 15 dias e parou de treinar no último final de semana. Ontem, em sua chegada a São Paulo, Carmem disse que fará um teste antes da largada, durante o aquecimento, para definir se participa ou não da principal prova de rua da América Latina.


