Nos anos 80, a São Silvestre foi dominada por corredores latino-americanos - colombianos, mexicanos e brasileiros. Com a chegada dos africanos no início da década, os antigos donos da festa foram perdendo espaço. Hoje eles se sentem ‘‘expulsos’’ do pelotão de elite das provas de meia distância, e encontram na maratona o espaço para alcançar fama e sucesso. Provas como a tradicional São Silvestre, deixaram de ser prioridade para eles.
O mexicano German Silva, terceiro colocado na São Silvestre de 1994, conta que em seu país os atletas estão preferindo correr provas de longa distância. ‘‘O México tinha bons corredores para 10 mil e 15 mil metros, mas todos preferiram se dedicar à maratona porque os prêmios são bem melhores’’, explica Silva. O corredor diz que depois que se tornou bicampeão da Maratona de Nova York, em 1994 e 1995, conseguiu melhores cachês e patrocínios para competir. ‘‘Para um corredor ter sua imagem valorizada ele precisa vencer uma maratona’’, destaca.
Os atletas do Quênia venceram três das últimas quatro provas da São Silvestre realizadas. Nas principais competições de atletismo, quenianos, marroquinos e etíopes revezam-se no topo do pódio das provas de 5 mil e 10 mil metros.
O equatoriano Sílvio Guerra, vice em 1994, vai começar a voltar seu treinamento especificamente para a maratona a partir do ano que vem. ‘‘A São Silvestre é muito valorizada no Equador, principalmente depois que Rolando Vera tornou-se tetracampeão, de 1986 a 1989’’, ressalta Guerra, destacando que ganhar uma São Silvestre no Equador é mais importante que conquistar uma medalha olímpica. Como este sonho vai ficando cada vez mais difícil o atleta começa a buscar outros caminhos.
Feminino As mulheres também estão preferindo optar pela maratona. A mexicana Maria Del Carmen Díaz, tricampeã da São Silvestre, acha que não terá muitas chances na prova de terça-feira porque sua preparação está voltada para longas distâncias. ‘‘A situação econômica do México está muito difícil’’, argumenta Maria Del Carmen. ‘‘Por isso não está sendo financeiramente vantajoso para os atletas competirem em provas de média distância.’’
A situação é a mesma para os brasileiros. Atletas como Luiz Antônio dos Santos, Valdenor dos Santos e Vanderlei Cordeiro de Lima ganharam notoriedade no cenário internacional com vitórias em maratonas. O treinamento para essa prova é totalmente diferente para quem vai correr distância mais curta, como é o caso da São Silvestre. Quem treina para maratona acaba sentindo o físico mais pesado em provas mais rápidas, e o rendimento cai. Mais uma vantagem para os quenianos. O grupo liderado por Paul Tergat, Simon Chemoiywo e Joseph Kimani prometem mais uma vez manter a hegemonia do Quênia na prova.

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