Largada atrasada
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de julho de 2017
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 

A nova pista de atletismo da UEL (Universidade Estadual de Londrina) deve estar aberta a comunidade a partir do mês de setembro. O espaço já está pronto há quase um ano, porém ainda falta a instalação de alguns equipamentos para que o local possa ser homologado pela CBA (Confederação Brasileira de Atletismo) e reinaugurado oficialmente.
A reforma foi iniciada em julho de 2015, com previsão inicial de entrega para janeiro do ano seguinte. A obra foi orçada em R$ 4,9 milhões, com recursos oriundos do Ministério do Esporte, via Caixa Econômica Federal, e uma contrapartida de 2% da UEL. O custo final ficou em R$ 5,2 milhões, já que houve um pedido de aditivo por parte da GV Group, de Porto Alegre, responsável pela execução do projeto.
A nova pista vai recolocar Londrina no cenário de competições importantes do atletismo, em nível nacional e internacional. Com um piso emborrachado e de última geração, a pista receberá homologação na classe 2, que permite abrigar eventos de alto nível. As pistas da classe 1 são as exigidas para Campeonatos Mundiais e Jogos Olímpicos.
Segundo o diretor do Cefe (Centro de Educação Física) da UEL, Hélio Serassuelo Junior, o atraso na entrega do complexo aconteceu em razão do período chuvoso em Londrina no fim de 2015 e por isso a empresa solicitou uma prorrogação do prazo. A nova pista foi finalizada em agosto do ano passado.
"O problema seguinte foi que o Ministério do Esporte atrasou o pagamento a empreiteira, o que aconteceu apenas em fevereiro deste ano. Em razão disso, a empresa enfrentou dificuldades financeiras e não conseguiu adquirir os demais equipamentos presentes no edital", informou o diretor.
Entre os complementos da pista que não foram instalados estão barreiras, colchões, as hastes para as provas de salto, os tacos de saída das provas de velocidade e a grade para as provas de arremesso e lançamento.
"Os equipamentos são todos importados e agora já foram comprados. A empresa prometeu instalá-los em até 90 dias. A nossa expectativa é que a pista esteja liberada para o início do segundo semestre das aulas, em setembro", apontou Serassuelo.
Apesar de estar sem uso há quase um ano, o diretor do Cefe garantiu que isso não irá ocasionar danos na nova pista e que a GV mantém um funcionário no local para cuidar e manter o local em boas condições.
Como a licitação proporcionou uma economia de R$ 1,8 milhão em relação ao montante liberado pelo Ministério do Esporte a verba inicial liberada é de R$ 7,05 milhões -, a UEL fez um projeto para usar o dinheiro em obras de infraestrutura em torno da pista. A universidade aguarda uma autorização para poder utilizar os recursos. "O projeto contempla arquibancada, cabine de comando, estacionamento, almoxarifado e banheiros adaptados para deficientes", relatou Hélio Serassuelo.
Sem local para treinos
A pista de atletismo da UEL (Universidade Estadual de Londrina) é a única apropriada para os treinos da modalidade em Londrina e na região. Com a reforma do local, a equipe Londrina/Caixa/Ipec realiza seus treinamentos no estádio do Café desde fevereiro do ano passado.
No Café, a pista é de terra e os espaços para os trabalhos de salto e arremesso são adaptados em torno do gramado. "Para os atletas do alto rendimento, quando há a necessidade de treinos mais técnicos, nas provas de barreiras e saltos há realmente um prejuízo e a preparação fica comprometida", avalia Gilberto Miranda, técnico e gestor da equipe londrinense. "A nossa ideia era ficar pouco tempo no estádio".
Quem também não tem a preparação ideal por falta de local é a para-atleta Tecka Santos, que utiliza das instalações do estádio José Garbelini, em Cambé, para se preparar. "Existem níveis de treinamento, alguns momentos específicos que você precisa fazer em uma pista sintética para ter um melhor rendimento e até evitar lesões", afirmou a medalhista de bronze nos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro, na prova dos 100 metros na classe T-46. "Espero conseguir uma parceria com a UEL para treinar lá após o fim da reforma".
A equipe de atletismo de Londrina sempre manteve convênio com a universidade e hoje, mesmo sem a pista, ainda utiliza a estrutura da UEL, como academia e ginásio. "Teremos com certeza uma pista de primeiro nível e poderemos trazer vários eventos para a cidade. Na UEL formamos vários campeões como José Carlos Moreira, Tatiane Raquel e outros. Com esta nova estrutura teremos ainda mais condição de trabalho", frisou Gilberto Miranda. "Vamos manter no Café um polo do nosso trabalho social e de formação e iniciação. Já que 90% das escolas que atendemos estão na zona norte. Esta aproximação ajuda a motivar as crianças e diminui os custos".


