Apareceu uma luz no fim do túnel para o CAC/Portuguesa, que a faz enxergar uma chance de permanecer na Primeira Divisão do Campeonato Paranaense. A denúncia feita pelo Iguaçu de que o Real Brasil teria usado um jogador irregular no torneio renovou as esperanças lusitanas de escapar do rebaixamento.
O protesto do time de União da Vitória, que ainda corre risco de rebaixamento, foi feito no último dia 20, mas veio à tona apenas esta semana. A acusação é de que o Real teria utilizado um jogador que já havia atuado pelo Iguaçu neste Paranaense, com outro nome e outra idade.
Emerson da Silva Santos, 22 anos, inscrito na CBF com o número 163.704 atuou no Real Brasil de março a junho de 2007 e transferiu-se para o Iguaçu em janeiro deste ano, com contrato até 30 de abril. Ele entrou em campo apenas uma vez pelo time de União da Vitória. Foi no empate em 1 a 1 com o Londrina, pela sexta rodada. Depois, foi dispensado.
Foi então que apareceu Erinaldo da Silva Santos, 26 anos, inscrito na CBF com o número 292.664. A inscrição era primária, ou seja, a primeira na carreira de um atleta. O jogador, teoricamente, teria iniciado a carreira no Real Brasil aos 26 anos. Firmou contrato até fevereiro de 2011 e estreou pelo Real na partida contra o Iraty pela 10 rodada do Paranaense, no último dia 17. Ele também foi relacionado na partida contra a Adap Galo, pela 11 rodada, realizada no mesmo dia em que a denuncia foi feita.
''Consoante depoimentos de pessoas que estiveram presentes aos jogos em comento, aliado a sólidos testemunhos e imagens, Erinaldo é ou pode ser Emerson, ou Émerson é ou pode ser Erinaldo, tanto faz'', afirmou o advogado Domingos Moro, que foi contratado pelo Iguaçu para fazer a denúncia.
A queixa foi apresentada à Procuradoria Desportiva do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) dentro do prazo legal de três dias após a infração.
Os procuradores devem convocar as testemunhas para depoimentos nos próximos dias e uma decisão deve ser tomada logo. O presidente do Real Brasil, Aurélio Almeida, não foi encontrado pela reportagem ontem. À imprensa curitibana, ele afirmou desconhecer que o atleta havia atuando pelo Iguaçu e disse ainda que Erinaldo - ou Émerson - foi dispensado do clube no ano passado após o clube descobrir que ele era gato.
O Regulamento Geral das Competições da Federação Paranaense de Futebol (FPF) 2008, em seu artigo 14º, veda expressamente a participação de um mesmo atleta por duas ou mais equipes participantes de um mesmo campeonato. Assim, o time de São José dos Pinhais pode perder seis pontos por um dos jogos em que o jogador foi relacionado. Com 13 pontos, o Real ficaria com apenas 1 e assumiria a lanterna do Paranaense, hoje de posse do CAC/Portuguesa.
Moro acredita que o julgamento será logo, uma vez que faltam apenas três rodadas para o fim da primeira fase do Estadual. ''Vamos ver o que vai dar. Nos próximos dias e antes do término da atual fase deveremos ter uma solução, que pode ser o arquivamento da queixa por sua improcedência ou a formulação de uma denúncia a ser levada para julgamento. É caso para três instâncias: Comissão Disciplinar do TJD-PR, Colegiado Pleno do TJD-PR e STJD, afinal, trata-se de uma vaga no nosso principal campeonato'', comentou.
Ânimo extra
Com cinco pontos, a Lusinha ganhou um ânimo extra na luta para fugir do rebaixamento. ''É mais um time que vai entrar na briga, se for mesmo punido. Mas, se ganharmos dois jogos, acho que estamos fora, independentemente de tapetão. O duro é ganhar os dois jogos'', afirmou o presidente Amarildo Vieira Martins. O clube participará da relação processual como terceira interessada.
Já o Rio Branco, penúltimo com seis pontos, prefere se concentrar nas disputas dentro de campo. ''Estamos aguardando o desfecho jurídico, mas só vamos nos apoiar nisso quando estiver no papel. Enquanto for apenas conversa, vamos aguardar, apesar de achar que é verídica (a irregularidade). Já passei para os atletas que esqueçam o extra-campo. Claro que facilita e muito, mas temos que ganhar em campo primeiro'', observou o gerente de futebol do Rio Branco, Valmir Martins.

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