Ayrton Centeno
Agência Estado
De Porto Alegre
Lanterna absoluto do Campeonato Brasileiro após a quarta derrota consecutiva, o Internacional poderá afastar alguns titulares para debelar a crise. ‘‘Há jogadores que não estão jogando o que o time e a torcida merecem’’, declarou o presidente do clube, Paulo Rogério Amoretty, após mais um fiasco, a derrota por 2 a 1, na quarta-feira à noite, para o Flamengo, no Beira-Rio.
O clima de crise - com torcida furiosa, xingamento da direção pelos torcedores e queixas dos dirigentes contra jogadores - tomou conta do estádio, depois da derrota. O Flamengo jogou desfalcado de seus principais nomes, mas mesmo assim superou um adversário que não poderia sequer empatar. Na caça aos culpados, os mais visados seriam, extraoficialmente, o volante Enciso, os atacantes Fabiano e Almir e o lateral-direito Denílson. Porém, até o meio da tarde de ontem, nenhum afastamento fora confirmado.
A torcida do Inter não consegue engolir a série de fracassos de seu time neste ano. Em março, o time foi eliminado da Copa Sul. Depois, perdeu em sequência a Copa do Brasil e o Campeonato Gaúcho. Agora, o fracasso é no Brasileirão, onde o Inter já foi três vezes campeão: 1975, 1976 e 1979.
Amoretty prometeu ‘‘medidas fortes’’ para sacudir o clube, tentando retirá-lo do atoleiro das últimas posições. Acha que é preciso ‘‘botar o dedo na moleira’’. O vice-presidente de futebol, Luiz Fernando Záchia, deu entrevistas dizendo que existem ‘‘três ou quatro jogadores’’ que ‘‘não poderiam vestir a camiseta do Inter’’. Houve queixas generalizadas contra a apatia do grupo. Até o técnico Walmir Louruz declarou, tão logo o jogo foi encerrado, que estava ‘‘envergonhado’’ e que alguns jogadores seriam dispensados.
Para piorar tudo, aquele que a torcida mais queria que permanecesse, o centroavante Christian - saudado como ‘‘Jesus Christian’’ nas arquibancadas, pelos seus gols salvadores - despediu-se do Inter, tudo indica, na partida contra o Flamengo. Vai para o Paris Saint-Germain, tão logo resolva-se o imbróglio jurídico em que o Inter, o PSG e o empresário Manuel Barbosa estão metidos, na briga pelos direitos sobre o passe do goleador. Christian, aliás, foi o autor do solitário gol do time na noite do quarto fracasso. O presidente admitiu que a negociação está acertada, faltando apenas solucionar problemas legais. ‘‘Fica negrão, Fora direção’’, gritavam os torcedores no Beira-Rio. ‘‘Ão, ão, ão Segunda Divisão’’, repetiam, vaticinando o descenso.
Alguns titulares, como o ex-ídolo Fabiano, também foram criticados. Mas a fúria maior era dirigida para Amoretty, identificado como o responsável principal pelo insucesso total do time no primeiro semestre e o desastre da participação, até agora, no Brasileiro. Para ele, sobravam palavrões e o coro ‘‘Fora Amoretty Pede pra sair’’.
Incomum na história do Inter, a série de quatro jogos e zero ponto, começou diante do Guarani, em Campinas. Dirigido por Paulo Autuori, o time perdeu por 2 a 1. Em seguida, foi batido em casa pelo Coritiba (2 a 0). Rolou a cabeça de Autuori. Trazido do Juventude, Walmir Louruz também estreou perdendo (3 a 1) para o Cruzeiro, no Mineirão. E caiu novamente para o Flamengo, em casa. Há 17 anos que o Inter não era derrotado pelo Flamengo no Beira-Rio.
No meio de tanto azar e desespero, um lance de sorte, propiciado pela tabela: o Inter folgará no fim-de-semana. Seu retorno acontecerá somente no domingo seguinte, contra o Atlético Mineiro, em Porto Alegre. A direção e o técnico ganharão um tempo precioso para as mudanças.

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