O último jogo do Brasil na Copa do Mundo terminou de forma melancólica. A disputa do terceiro lugar não empolgou os torcedores londrinenses que acompanharam a partida. Na Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, centenas de pessoas assistiram o jogo durante uma festa julina. Os participantes misturaram a vestimenta típica da festividade caipira com a torcida pelo time brasileiro. O xadrez estava estampado nas vestimentas dos rapazes e as moças trajavam vestidos estampados e com rendas.
A noiva do casório julino, Camila Pereira Dias, de 25 anos, ironizou o fato de ter sido esquecida pelo noivo durante o jogo. "Fui trocada pelo futebol. Ele me deixou de escanteio no dia do casamento. Se pelo menos o escanteio resultasse em um gol do Brasil, tudo bem, mas nem isso", criticou. O noivo em questão é o gerente corporativo Murilo Gomes, de 27 anos, que mesmo com seu traje de casamento caipira, não deixou de usar um chapéu feito de espuma nas cores verde e amarela. Ele afirmou que não esperava que a festa coincidisse com um jogo do Brasil, na disputa de terceiro lugar. "A gente esperava que na festa julina a gente se divertisse bastante para que no dia seguinte nós pudéssemos assistir uma partida do Brasil na final. Infelizmente não deu", afirmou.
Logo no primeiro lance da Holanda na partida, um pênalti duvidoso foi convertido por Robin Van Persie e a torcida toda lamentou. O consultor de negócios Willian Araújo, de 26 anos, criticou a atual diretoria da Confederação Brasileira de Futebol e reivindicou que toda ela fosse mudada. "Sei que é difícil eles trocarem esses diretores, mas é o que precisa ser feito", afirmou.
Um dos espectadores não desgrudou do tradicional radinho de pilha. O professor Tazzio Gaspari, de 33 anos, não queria perder nenhum lance. Ele defendeu a postura tática de Felipão no jogo contra a Alemanha. "Ele tinha que ser ofensivo, mas não deu certo. Acontece. Quem não arrisca, não petisca", argumentou. Mas nem mesmo a postura mais defensiva no jogo contra a Holanda foi suficiente para conter o ataque holandês. Ainda no primeiro tempo, Daley Blind marcou o segundo gol para os holandeses e novos gritos de lamentação ecoaram pela festa.
No Bar Brasil, reduto tradicional de apreciadores de futebol, havia poucas pessoas com o uniforme da seleção brasileira. Entre eles estava a dupla de amigos, os estudantes de Direito Vítor Prato Dias, de 21 anos, e João Pedro Primo Junior, de 23 anos. Os dois chegaram a adquirir ingressos para assistir um jogo da Copa do Mundo in loco. "Fomos lá para assistir ao jogo da Argentina contra o Irã", afirmou João Pedro. Dias afirmou que a disputa de terceiro lugar na Copa foi como se fosse um amistoso. "Apesar do Brasil perder para a Holanda, o time deles não é nada de mais", analisou. No final do segundo tempo, Georgino Wijnaldum marcou o terceiro gol para os holandeses.
Outro que estava trajando o uniforme do Brasil foi o vendedor Guilherme Henrique Souza, de 21 anos. "Torcer para o Brasil é fundamental. Embora a situação do Brasil não esteja tão boa, as pessoas precisam continuar torcendo pelo time", afirmou. Ele destacou que a derrota por 7 a 1 contra a Alemanha foi inadmissível e que é preciso uma reformulação do esporte no País. "Essa reforma precisa acontecer desde a base até o time profissional", sugeriu. Sobre o jogo contra a Holanda, ele afirmou que as mudanças que o técnico Luiz Felipe Scolari implementou não mudou em nada as deficiências do time. "É um final melancólico da seleção brasileira para esta Copa", declarou.

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