Arquivo FolhaCríticaMichael Schumacher: ‘‘É preciso mudar a lei que dá aos fotógrafos o direito de fazer o que bem entendem’’ Os pilotos da Fórmula 1 desembarcaram ontem na Itália falando sobre o acidente e tudo o que envolveu a morte da ex-princesa inglesa Diana, sábado passado, em Paris. A categoria é um meio quase que britânico. Das 11 equipes que disputam o Mundial, sete têm suas sedes na Inglaterra: Williams, Benetton, McLaren, Jordan, Arrows, Stewart e Tyrrell. ‘‘Solicitamos a Bernie Ecclestone um minuto de silêncio antes do início da classificação’’, disse o campeão do mundo, o inglês Damon Hill. Já Michael Schumacher foi mais crítico: ‘‘É preciso mudar essa lei de imprensa que dá direito aos fotógrafos de fazer o que bem entendem’’.
Schumacher foi dos que mais falou a respeito. ‘‘Nós pilotos não despertamos nem a metade da atenção de certas figuras públicas, mas não somos imunes à invasão de privacidade promovida por certos fotógrafos’’. Irritado, comentou que na mesma Paris onde ocorreu o acidente com Diana ele passou por experiências de assédio semelhantes. ‘‘É incrível, não há limite para a ação desses fotógrafos, é isso que está errado’’. Na sua opinião, deveriam existir leis ‘‘coibindo os abusos’’.
Em 94 o piloto alemão foi chamado para depor na sede da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), em Paris. A acusação era grave: desrespeito ao diretor de prova do GP da Inglaterra. Michael Schumacher acabou suspenso por duas corridas. Na saída do edifício da FIA, na Place de La Concorde, em Paris, ele se indispôs com a imprensa, que pretendia ouvir sua opinião sobre a pesada punição imposta. ‘‘Foi um desrespeito total’’, recordou.
Amanhã, antes do início da sessão que definirá o grid do GP da Itália, 13ª etapa do campeonato, todos os pilotos deverão observar um minuto de silêncio em respeito à morte de Diana. ‘‘Não sabemos ao certo como será a cerimônia, se ficaremos nos carros ou fora deles, mas temos de nos manifestar de alguma forma’’, fala Damon Hill, que já foi condecorado pela rainha Elizabeth como ‘‘Cavaleiro da corte’’, depois de conquistar o título de campeão do mundo ano passado.
Na etapa seguinte ao trágico GP de San Marino de 94, em que Ayrton Senna faleceu, os pilotos deixaram vaga a posição do pole no grid da prova de Mônaco e observaram um minuto de silêncio em volta do lugar que ‘‘deveria ser seu’’, conforme declararam. A não ser Schumacher, quase ninguém comentou ontem o que pode acontecer no circuito de Monza no final de semana. ‘‘Essa corrida deve ser das mais disputadas da temporada, imagino que cinco times podem vencê-la’’, disse o alemão, explicitando: ‘‘Ferrari, Williams, Jordan, McLaren e Benetton’’. Os pilotos entram na pista hoje para os treinos livres.

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