LACUNA - Ausência sentida
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domingo, 01 de outubro de 2017
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 

Enquanto em quase todos os esportes se vê o crescimento da participação feminina, durante a realização do 27º Torneio Bratac-Fiação de Seda de Softbol, no campo da Acel (Associação Cultural e Esportiva de Londrina), no domingo (1º) em Londrina, não havia nenhuma equipe de softbol feminino entre as 16 equipes participantes. Isso a dois anos da disputa da Olimpíada de Tóquio-2020, que terá a retomada do softbol feminino entre os esportes olímpicos. Essa ausência significa que certamente não haverá nenhuma atleta de Londrina na seleção brasileira de softbol que disputará a classificação para os Jogos.
A crise evidenciada com a falta de equipe feminina expõe um problema que teve início com a retirada do esporte por parte do Comitê Olímpico Internacional depois dos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim. Sem essa que é considerada uma das maiores disputas do esporte mundial, há uma queda de procura pela modalidade e as potenciais atletas que poderiam jogar softbol acabam migrando para outros esportes.
Além disso, a implantação do softbol ainda é considerada recente na cidade se comparada com o beisebol, cuja implantação quase se confunde com a história de Londrina, quando chegaram os primeiros imigrantes japoneses à região. Foi em 1933 que houve o registro oficial dos primeiros times de beisebol fundados no Paraná, em Cornélio Procópio (Colônia Central) e em Londrina. Já o softbol ingressou no município apenas na década de 80.
RETOMADA
Segundo o presidente da Federação Paranaense de Beisebol e Softbol, Francisco Takio Tan, há cinco ou seis anos houve também a desistência de atletas da categoria Ladies (adultas), e as suas filhas, que acompanhavam elas, acabaram desistindo de treinar e desde então Londrina não possui uma equipe feminina de softbol. "Nós também tivemos um problema de falta de técnicos para a categoria. No ano que vem vamos tentar organizar uma equipe com a criançada de sete a dez anos, para retomar a categoria das meninas", projeta.
Um dos participantes do Torneio Bratac-Fiação de Seda de Softbol, o atleta de Marília (SP) Yudy Mito, 41, se diz animado com o retorno do softbol feminino e do beisebol masculino aos Jogos Olímpicos. "Eu acho que a Olimpíada deveria ter também o softbol masculino, pois a gente vê que está tendo uma evolução e o índice técnico está ficando mais forte também", afirma. Segundo ele, o softbol possibilita a integração com os times de outras cidades. "O mais gostoso é a cooperação entre amigos", aponta.
Um exemplo disso é que o time de Marília veio desfalcado a Londrina e solicitou que alguns atletas daqui ajudassem a suprir a falta de três atletas. Um deles é Ederson Silva, 39, que é de Londrina, mas acabou vestindo também o uniforme de Marília. "Sempre que a gente pode, completa com alguém daqui. Às vezes vêm equipes de fora faltando alguns atletas e a gente disponibiliza alguns jogadores. Fora isso a gente adquire experiência e é bom para expandir a amizade", aponta.
Com atletas com mais de 70 anos disputando o campeonato, o softbol permite dar sobrevida esportiva aos ex-atletas de beisebol. Yudy Mito, por exemplo, se espelha nos atletas mais velhos disputando as partidas na categoria veteranos e espera ter o mesmo pique quando chegar a essa idade.


