Laboratório de Testes de Integração terá missão fundamental na Rio-2016
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quarta-feira, 08 de abril de 2015
Rafael Souza<br>Enviado ao Rio de Janeiro 
Rio - Imagine Usain Bolt fazendo mais uma prova perfeita e cruzando a linha de chegada em primeiro na disputa dos 100 metros nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Algo esperado. A vitória do jamaicano, no entanto, fica sob dúvida por causa de uma falha na transmissão de dados no momento de confirmar a terceira medalha de ouro olímpica na prova do maior velocista de todos os tempos. Em princípio, isso deve ficar só na imaginação mesmo, até porque num mundo onde as tecnologias avançam a cada dia um fato como este está cada vez mais longe de acontecer.
Mas, para evitar uma falha dessa proporção, uma equipe trabalha intensamente para deixar toda a gestão de dados informativos dos Jogos Olímpicos à disposição de quem estará assistindo e transmitindo em tempo real. É o time da Atos, empresa de origem francesa e instalada em Londrina há dois anos, responsável pelo processo de produção e monitoramento de soluções tecnológicas do maior evento esportivo do mundo desde Barcelona-1992.
Para a próxima edição do evento, os trabalhos começaram em novembro de 2012 e entram agora na reta final, com a inauguração do Laboratório de Testes de Integração dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, realizada ontem no Rio de Janeiro. O evento marcou o início de um período de 200 mil horas de testes tecnológicos que terminarão apenas em maio do ano que vem, três meses antes do início das competições.
O laboratório foi instalado no prédio do Comitê Organizador dos Jogos, no bairro Cidade Nova. Para facilitar a mensuração, o local de testes é dividido em células, cada uma responsável por realizar experimentos e captar resultados de uma modalidade esportiva contida no cronograma dos Jogos. É possível simular competições virtuais e observar todo o processamento das informações até que elas cheguem à rede transmissora. É assim que a organização será capaz de apurar, por exemplo, quando um atleta queimar a largada nas provas de velocidade do atletismo ou quando um nadador não tocar o sensor que emite o resultado de uma prova da natação.
É a primeira vez que parte dos sistemas de TI dos Jogos de Verão serão administrados em Cloud (nuvem), que oferece maior confiabilidade, acessos aos dados de forma segura e remota para o público e uma considerável redução de custos operacionais. "Não tem como pedir para o Bolt correr de novo a prova dele, para qual ele treinou quatro anos, porque alguma coisa deu errado. É algo que não pode falhar", argumenta Elly Resende, diretor de Tecnologia do Rio-2016.
"Tudo será testado um milhão de vezes, se for preciso, para garantir que todos os resultados sejam entregues o mais rápido possível, e de forma confiável", garante Patrick Adiba, vice-presidente executivo Comercial do Grupo Atos. A intenção da organização é colocar tudo em prática nos 44 eventos-teste que começam no segundo semestre deste ano.
GAFE
A ideia é evitar gafes como a que aconteceu com o brasileiro Gustavo Borges, em Barcelona-1992, quando o nadador chegou em segundo lugar, garantiu a medalha de prata, mas seu nome apareceu no telão na quinta posição, por uma falha na transmissão de dados. "Num esporte como a natação em que milésimos de segundos definem uma prova, um sistema como esse é extrema importância. Queremos os atletas contentes ao saírem da prova, com a certeza de que o tempo mostrado está correto. O Gustavo, por exemplo, perdeu um momento único, que ele merecia ter vivido e tiraram dele", relembra o ex-nadador Ricardo Prado, medalhista de prata em Los Angeles-1984 e agora gerente de esportes aquáticos do comitê.
O repórter viajou a convite da Atos.


