Rio - Imagine Usain Bolt fazendo mais uma prova perfeita e cruzando a linha de chegada em primeiro na disputa dos 100 metros nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Algo esperado. A vitória do jamaicano, no entanto, fica sob dúvida por causa de uma falha na transmissão de dados no momento de confirmar a terceira medalha de ouro olímpica – na prova – do maior velocista de todos os tempos. Em princípio, isso deve ficar só na imaginação mesmo, até porque num mundo onde as tecnologias avançam a cada dia um fato como este está cada vez mais longe de acontecer.
Mas, para evitar uma falha dessa proporção, uma equipe trabalha intensamente para deixar toda a gestão de dados informativos dos Jogos Olímpicos à disposição de quem estará assistindo e transmitindo em tempo real. É o time da Atos, empresa de origem francesa e instalada em Londrina há dois anos, responsável pelo processo de produção e monitoramento de soluções tecnológicas do maior evento esportivo do mundo desde Barcelona-1992.
Para a próxima edição do evento, os trabalhos começaram em novembro de 2012 e entram agora na reta final, com a inauguração do Laboratório de Testes de Integração dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, realizada ontem no Rio de Janeiro. O evento marcou o início de um período de 200 mil horas de testes tecnológicos que terminarão apenas em maio do ano que vem, três meses antes do início das competições.
O laboratório foi instalado no prédio do Comitê Organizador dos Jogos, no bairro Cidade Nova. Para facilitar a mensuração, o local de testes é dividido em células, cada uma responsável por realizar experimentos e captar resultados de uma modalidade esportiva contida no cronograma dos Jogos. É possível simular competições virtuais e observar todo o processamento das informações até que elas cheguem à rede transmissora. É assim que a organização será capaz de apurar, por exemplo, quando um atleta queimar a largada nas provas de velocidade do atletismo ou quando um nadador não tocar o sensor que emite o resultado de uma prova da natação.
É a primeira vez que parte dos sistemas de TI dos Jogos de Verão serão administrados em Cloud (nuvem), que oferece maior confiabilidade, acessos aos dados de forma segura e remota para o público e uma considerável redução de custos operacionais. "Não tem como pedir para o Bolt correr de novo a prova dele, para qual ele treinou quatro anos, porque alguma coisa deu errado. É algo que não pode falhar", argumenta Elly Resende, diretor de Tecnologia do Rio-2016.
"Tudo será testado um milhão de vezes, se for preciso, para garantir que todos os resultados sejam entregues o mais rápido possível, e de forma confiável", garante Patrick Adiba, vice-presidente executivo Comercial do Grupo Atos. A intenção da organização é colocar tudo em prática nos 44 eventos-teste que começam no segundo semestre deste ano.

GAFE
A ideia é evitar gafes como a que aconteceu com o brasileiro Gustavo Borges, em Barcelona-1992, quando o nadador chegou em segundo lugar, garantiu a medalha de prata, mas seu nome apareceu no telão na quinta posição, por uma falha na transmissão de dados. "Num esporte como a natação em que milésimos de segundos definem uma prova, um sistema como esse é extrema importância. Queremos os atletas contentes ao saírem da prova, com a certeza de que o tempo mostrado está correto. O Gustavo, por exemplo, perdeu um momento único, que ele merecia ter vivido e tiraram dele", relembra o ex-nadador Ricardo Prado, medalhista de prata em Los Angeles-1984 e agora gerente de esportes aquáticos do comitê.

O repórter viajou a convite da Atos.

mockup