La mano de Diós consagrou Maradona em 86
São Paulo - Com o fim do reinado de Pelé, o primeiro candidato à sucessão foi Johan Cruyff, que ditava o ritmo do Carrossel Holandês, no Mundial de 1974. A equipe dirigida pelo mítico Rinus Michels provocou a última grande revolução tática no futebol. Porém, na final esbarrou na eficiência alemã (2 a 2), liderada pelo impecável Franz Beckenbauer, o Kaiser.
O Mundial de 1978 foi estranho, pois não houve um craque que tenha concentrado atenções e elogios. Daniel Passarella, o artilheiro Kempes se destacaram na campeã Argentina; a França apresentava o toque refinado do jovem Michel Platini, a Itália teve bons momentos com Roberto Bettega. A rigor, ninguém encantou.
A Copa de 1982 era o cenário ideal para consagrar nova leva brasileira fora do comum. O técnico Telê Santana conseguiu reunir artistas como Leandro, Júnior, Oscar, Zico, Sócrates, Falcão e Cerezo, que jogavam por música. A desafinação fatal apareceu no jogo contra a Itália nos inesquecíveis 3 a 2 de 5 de julho no já desaparecido Estádio Sarriá. Naquele clássico, Paolo Rossi destravou, fez os 3 gols e se tornou fundamental para o tri da 'Azzurra'.
A Argentina não passou da segunda fase, mas tinha em Maradona seu ponto de referência. Dieguito não fez grande coisa até foi expulso contra o Brasil. A redenção veio no México, em 86. Mais maduro, empolgado com a vida em Nápoles, só não fez chover na trajetória do bicampeonato. De resto, deu passes precisos, arrancou aplausos de platéias entusiasmadas e ainda fez dois gols antológicos, contra a Inglaterra. Num deles, arrancou antes da linha do meio-campo e só parou com a bola na rede. Em outro, desviou com o punho um cruzamento na área e levou no bico o juiz Ali Ben Naceur, da Tunísia. Na maior cara-de-pau, cunhou frase histórica para explicar a jogada. ''O gol foi com la mano de Diós'', definiu. Maradona também foi imprescindível no vice-campeonato em 90, na Itála. (A.G/A.E.)





